Quote
Fiction Original
Título: Soul Hunter
Rate ou Classificação: PG-13
Gênero: Ação, Ficção científica (ou quase)
Tipo: Multi-chapter
Aviso: Essa é a primeira vez que faço uma fic, quaisquer erros favor me falar, agradeço. A fic é original, eu que criei, então agradeceria se não copiassem, plagiassem ou coisa do tipo.
Título: Soul Hunter
Rate ou Classificação: PG-13
Gênero: Ação, Ficção científica (ou quase)
Tipo: Multi-chapter
Aviso: Essa é a primeira vez que faço uma fic, quaisquer erros favor me falar, agradeço. A fic é original, eu que criei, então agradeceria se não copiassem, plagiassem ou coisa do tipo.
Prólogo
Spoiler
O ano é 2111. O mundo como conhecemos não existe mais. Uma Terceira Guerra Mundial começada por terroristas assolou a face da Terra. A maioria da população morreu. Os sobreviventes se reuniram em vilas improvisadas. Desesperadas, apelaram para a religião. Sacrifícios precisam ser feitos...
Capítulo 1 - Um menino da rua
Spoiler
Na principal vila da antiga Europa, São Francisco, uma multidão passa por uma estreita rua. Pessoas decadentes fingindo que a vida não é tão ruim assim. Roupas de grife esfarrapadas, riqueza ostentada de tempos passados, hoje sem valor nenhum. Por entre essas pessoas caminha um menino. Adolescente, tem por volta de quinze anos, ou pelo menos é o que ele acha. Contar a idade já perdeu um pouco do sentido para ele. Vestia um casaco que era grande demais para seu tamanho que ele usava como cobertor à noite, um jeans surrado e esfarrapado, tênis encardidos. Não era um garoto que se destacava na multidão, exceto por uma característica que invertia tudo: o seu cabelo. Seu cabelo era enorme, espetado, com formato de estrela, com exatamente cinco pontas nas laterais e uma ponta na parte de trás da cabeça. Aquele cabelo era seu orgulho.
Estava com fome. Viu uma visão agradável: um homem alto passava com um pacote com baguetes de pão. Trombou com ele. O homem gritou palavrões, mas o menino já estava longe, correndo a toda velocidade. Irritado, abaixou-se para pegar o pacote com os pães. Mas não havia nenhum pão no chão. Foi aí que ele viu que o menino que trombou com ele carregava um pacote com baguetes de pão. Correu atrás dele. A rua estava cheia de gente, e a cada três segundos trombava com alguém ou então tinha que pular um obstáculo. Para aquele maldito menino, no entanto, era fácil. O pestinha desviava das pessoas, se pendurava em varais, escalava muros, entrava em becos. Arfando, o homem desistiu da perseguição. Em um beco, um menino ria histericamente. Esfomeado, arrancou um generoso pedaço de uma baguete e engoliu violentamente.
- Muito bem, Lucca! Pães pra gente comer! – disse um homem com um chapéu no breu do beco. Lucca passou uma baguete para o homem, que a comeu com voracidade.
– O trouxa ainda tentou me perseguir – comentou Lucca – mal sabia ele que estava lidando com o melhor ladrão de toda a vila!
– Realmente você é muito habilidoso com furtos. Seu tio fica orgulhoso de você. – disse o homem.
- Mas eu devo tudo a você, tio Samuel. Quem me acolheu depois da guerra foi você. – disse Lucca.
A conversa foi interrompida por uma baderna que ocorria na rua. Gritos, barulhos de socos, cassetetes, uma confusão se instaurou na rua. Isso só podia significar uma coisa: o papa estava passando.
-Saiam da frente, o papa está passando! – uma voz máscula confirmava as suspeitas de Lucca.
O papa passava periodicamente de cidade em cidade, usando uma bugiganga que nem Lucca nem ninguém sabia como funcionava para detectar sacrifícios em potencial. Cada um tinha uma teoria. Uns diziam que o instrumento funcionava por intermédio divino, outros falavam que o treco funcionava aleatoriamente, outros ainda diziam que havia propriedades procuradas em sacríficios que o aparato detectava. O que importava era que o treco era uma espécie de cabo que o papa ficava apontando para a multidão enquanto ele passava. Se ele acendesse, a pessoa para que o cabo estivesse apontando seria automaticamente o sacrifício. Todos pararam para olhar o papa passar, com medo de que o maldito graveto os apontassem como sacrifício. De repente, um silêncio mórbido se instalou na rua inteira: o detector acendeu. E apontava para Lucca.
Seu coração disparou, tudo o que ele queria fazer era correr dali, sumir para nunca mais ser visto. Mas não conseguiu. Congelou, e paralisado de medo, pode apenas perceber que todo um mundo abria caminho para que o papa e sua comitiva passasse. Um segurança começou a levá-lo, mas Samuel se interpôs entre os dois. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, o segurança atirou em Samuel, que morreu na hora. Chocado, Lucca chorava enquanto era levado pelo assassino de seu tio. Seu tio era tudo o que tinha restado como parente na vida, e agora estava morto. Finalmente caiu em si: começou a espernear, gritar, socar e morder quem o segurava. Aliás, queria mesmo matar aquele maldito homem. Mas não podia. Via seu destino bem a frente, no centro da praça.
Uma plataforma quadrada, com uns cinco metros de altura para que o povo pudesse ver. Uma multidão já estava lá para assistir a sua morte. Ele já estava resignado. O tio morreu, então o sentido de sua vida já não havia. Ele vivia pelo tio. Agora vai morrer por quem o matou. Subiu a plataforma. Olhou bem para o tronco no qual morreria. Amarram-no, e em seguida o papa acendeu a tocha.
- Eu lhes apresento, o sacrifício! – exclamou o papa. – Deus pai, todo-poderoso, que esse sacrifício possa abrandar a vossa fúria, e que a paz reine entre os povos debilitados. Amém.
Jogou a tocha. O fim vinha. Fechou os olhos para o seu fim derradeiro.
Estava com fome. Viu uma visão agradável: um homem alto passava com um pacote com baguetes de pão. Trombou com ele. O homem gritou palavrões, mas o menino já estava longe, correndo a toda velocidade. Irritado, abaixou-se para pegar o pacote com os pães. Mas não havia nenhum pão no chão. Foi aí que ele viu que o menino que trombou com ele carregava um pacote com baguetes de pão. Correu atrás dele. A rua estava cheia de gente, e a cada três segundos trombava com alguém ou então tinha que pular um obstáculo. Para aquele maldito menino, no entanto, era fácil. O pestinha desviava das pessoas, se pendurava em varais, escalava muros, entrava em becos. Arfando, o homem desistiu da perseguição. Em um beco, um menino ria histericamente. Esfomeado, arrancou um generoso pedaço de uma baguete e engoliu violentamente.
- Muito bem, Lucca! Pães pra gente comer! – disse um homem com um chapéu no breu do beco. Lucca passou uma baguete para o homem, que a comeu com voracidade.
– O trouxa ainda tentou me perseguir – comentou Lucca – mal sabia ele que estava lidando com o melhor ladrão de toda a vila!
– Realmente você é muito habilidoso com furtos. Seu tio fica orgulhoso de você. – disse o homem.
- Mas eu devo tudo a você, tio Samuel. Quem me acolheu depois da guerra foi você. – disse Lucca.
A conversa foi interrompida por uma baderna que ocorria na rua. Gritos, barulhos de socos, cassetetes, uma confusão se instaurou na rua. Isso só podia significar uma coisa: o papa estava passando.
-Saiam da frente, o papa está passando! – uma voz máscula confirmava as suspeitas de Lucca.
O papa passava periodicamente de cidade em cidade, usando uma bugiganga que nem Lucca nem ninguém sabia como funcionava para detectar sacrifícios em potencial. Cada um tinha uma teoria. Uns diziam que o instrumento funcionava por intermédio divino, outros falavam que o treco funcionava aleatoriamente, outros ainda diziam que havia propriedades procuradas em sacríficios que o aparato detectava. O que importava era que o treco era uma espécie de cabo que o papa ficava apontando para a multidão enquanto ele passava. Se ele acendesse, a pessoa para que o cabo estivesse apontando seria automaticamente o sacrifício. Todos pararam para olhar o papa passar, com medo de que o maldito graveto os apontassem como sacrifício. De repente, um silêncio mórbido se instalou na rua inteira: o detector acendeu. E apontava para Lucca.
Seu coração disparou, tudo o que ele queria fazer era correr dali, sumir para nunca mais ser visto. Mas não conseguiu. Congelou, e paralisado de medo, pode apenas perceber que todo um mundo abria caminho para que o papa e sua comitiva passasse. Um segurança começou a levá-lo, mas Samuel se interpôs entre os dois. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, o segurança atirou em Samuel, que morreu na hora. Chocado, Lucca chorava enquanto era levado pelo assassino de seu tio. Seu tio era tudo o que tinha restado como parente na vida, e agora estava morto. Finalmente caiu em si: começou a espernear, gritar, socar e morder quem o segurava. Aliás, queria mesmo matar aquele maldito homem. Mas não podia. Via seu destino bem a frente, no centro da praça.
Uma plataforma quadrada, com uns cinco metros de altura para que o povo pudesse ver. Uma multidão já estava lá para assistir a sua morte. Ele já estava resignado. O tio morreu, então o sentido de sua vida já não havia. Ele vivia pelo tio. Agora vai morrer por quem o matou. Subiu a plataforma. Olhou bem para o tronco no qual morreria. Amarram-no, e em seguida o papa acendeu a tocha.
- Eu lhes apresento, o sacrifício! – exclamou o papa. – Deus pai, todo-poderoso, que esse sacrifício possa abrandar a vossa fúria, e que a paz reine entre os povos debilitados. Amém.
Jogou a tocha. O fim vinha. Fechou os olhos para o seu fim derradeiro.
Capítulo 2 - A Guerra
Spoiler
Cem anos atrás, o mundo era muito mais pacífico. Pessoas nasciam aos montes, e a população humana povoava toda a Terra. Mas um dia fatídico mudou a história da humanidade. Nesse dia odiado por muitos, um grupo terrorista lançou bombas atômicas nos Estados Unidos. Ultrajados, os americanos iniciaram uma guerra contra a Europa, mais especificamente a Rússia, de quem suspeitavam que tinha fornecido as bombas para os terroristas.
Os primeiros seis meses da Guerra mataram 70% da população mundial. Vendo que a Guerra iria levar à extinção humana, cessaram o uso de armas nucleares.
Porém, a guerra continuou. Escravizaram pessoas para trabalharem na manufatura das armas, já que as bombas destruíram as fábricas e os seus criadores.Os anos se passaram, e a guerra foi seguindo nesse ritmo. A configuração da Terra mudou muito, e por conta da radiação das bombas apareceram mutantes. Aberrações com três braços, cinco pernas, três olhos, tudo o que se possa imaginar surgiu. E todos pareciam ter uma força bruta natural. Os fracos morriam, e os mutantes cresciam em número. Logo a guerra passou a ser os humanos contra os mutantes. Mas ainda havia a escravidão.
A família de Lucca era uma das que foram escravizadas para garimpar ferro e outros minérios. Ele só tinha sete anos quando foi levado com seus pais para trabalhar. Deixou seu cabelo crescer, pois não possuía nenhum pertence. Esfarrapado e magricela, ele quebrava ossos com frequência para não trabalhar. Ele era tratado e não trabalhava, realmente, mas ele apanhava todas as vezes que isso acontecia, deixando-o sempre a beira da morte.
Aliás, apanhava em todas as situações possíveis: se tropeçasse apanhava, se chorasse apanhava, se brigasse com alguém apanhava, se olhasse torto para o vigilante apanhava. Seus pais morreram de desnutrição. Primeiro a mãe, depois o pai. Ficou sozinho na mineradora. Já no final da guerra, Lucca tinha onze anos e os mutantes estavam morrendo. Quando a guerra foi ganha, as pessoas acharam que seriam liberadas para suas casas.
Ledo engano. Continuaram servindo como escravos, agora em nome da reconstrução da humanidade. Mas isso eles não aceitaram. Uma rebelião percorreu todo o mundo, e as pessoas foram se libertando. Acabaram cedendo, e as pessoas fugiram. Sem saber para onde ir, só lembrava de uma pessoa: seu tio. Por algum motivo que ele não sabia, seu tio não foi escravizado. Ele morava numa vila perto da mineradora.
Lucca partiu então para lá. Desnutrido, teve que pedir por comida. Encontrou o estabelecimento do tio no centro da vila, como haviam informado a ele. Achou fácil o lugar, já que seu tio é bem famoso na vila. Bateu na porta ansiosamente. Quando seu tio apareceu, ele ficou muito feliz. Seu tio era um homem alto, barbudo, com uma insinuação de bigode. Vestia um blazer com uma camisa social por baixo, com uma gravata borboleta e uma calça social elegante. Possuía também um enorme chapéu na cabeça, tão grande que roçava no teto. Devia ter pelo menos uns cinquenta centímetros.
- Não tenho esmola para gente de cabelo esquisito. – disse Samuel.
- Tio, sou eu, Lucca! Não se lembra de mim?
- Eu lembro de um sobrinho com esse nome sim, mas ele não tinha esse cabelo feio. Volte quando tiver um cabelo bonito.
Lucca simplesmente não entendia aquilo. Isso não fazia o menor sentido. Não se lembrava de seu tio com hábitos tão estranhos. Mas ele deciciu que atenderia o pedido do tio. Vagou pelas ruas pensando no que fazer. Perdeu-se em seus pensamentos, e quando deu por si estava fora da vila, caminhando por pradarias de capim amarelado.
Começou a chover. Uma torrente de chuva começou a tamborilar na cabeça de Lucca. Ele começou a correr, aquela água machucava seu corpo frágil. Começou a ouvir fortes barulhos de trovoadas e relâmpagos iluminavam o céu. Estava quase chegando a vila quando um raio atingiu Lucca em cheio. De repente tudo ficou escuro. Assim ficou por um tempo. Uma escuridão gritante, um silêncio, como se ele estivesse em um quarto escuro. Foi aí que percebeu que ele estava em um quarto escuro, e ele sentia a presença de alguém.
Tateou uma parede, e achando um interruptor acendeu o que ele achava que seria a luz. Ao fazer isso, uma luz de holofote iluminou uma pessoa. Essa pessoa tinha a sua altura, era tão magro quanto ele, e tinha feições muito parecidas com a dele... Era ele mesmo! Mas aquilo não era um espelho. E havia uma diferença entre os dois: o menino debaixo do holofote, ao invés de ter os cabelos longos e maltratados que nem os dele, possuía cabelos rebeldes, espetados em cinco pontas laterais, e uma ponta na parte de trás da cabeça. Ele resolveu quebrar o silêncio:
- Quem é você? – perguntou Lucca.
- De certa forma pode-se dizer que eu sou você. – disse o menino.
-Onde eu estou?
- Na sua consciência. Você está desmaiado, e vai morrer em breve se não se tratar.
- O que devo fazer então?
-Eu não deveria, mas vou te ajudar. – ele então começou a se digirir a outras pessoas – Ei vocês, será que vocês poderiam nos ajudar?
- Mas é claro mestre, é uma honra serví-lo. – disseram várias vozes em conjunto.
- Pois então leve eu e meu amigo aqui para a casa de seu tio. Sabe onde é?
- Sabemos sim mestre, o levaremos agora mesmo.
Enquanto isso, na casa de Samuel, um barulho veio da porta, como um grande peso caindo sobre ela. Quando Samuel abriu a porta, um menino de cabelo espetado caiu, inconsciente, em seu colo. Olhando pela porta a fora, não viu ninguém. Só via a chuva, os raios, e um estranho corredor de grama de seguia pela rua até onde a vista alcançava.
Os primeiros seis meses da Guerra mataram 70% da população mundial. Vendo que a Guerra iria levar à extinção humana, cessaram o uso de armas nucleares.
Porém, a guerra continuou. Escravizaram pessoas para trabalharem na manufatura das armas, já que as bombas destruíram as fábricas e os seus criadores.Os anos se passaram, e a guerra foi seguindo nesse ritmo. A configuração da Terra mudou muito, e por conta da radiação das bombas apareceram mutantes. Aberrações com três braços, cinco pernas, três olhos, tudo o que se possa imaginar surgiu. E todos pareciam ter uma força bruta natural. Os fracos morriam, e os mutantes cresciam em número. Logo a guerra passou a ser os humanos contra os mutantes. Mas ainda havia a escravidão.
A família de Lucca era uma das que foram escravizadas para garimpar ferro e outros minérios. Ele só tinha sete anos quando foi levado com seus pais para trabalhar. Deixou seu cabelo crescer, pois não possuía nenhum pertence. Esfarrapado e magricela, ele quebrava ossos com frequência para não trabalhar. Ele era tratado e não trabalhava, realmente, mas ele apanhava todas as vezes que isso acontecia, deixando-o sempre a beira da morte.
Aliás, apanhava em todas as situações possíveis: se tropeçasse apanhava, se chorasse apanhava, se brigasse com alguém apanhava, se olhasse torto para o vigilante apanhava. Seus pais morreram de desnutrição. Primeiro a mãe, depois o pai. Ficou sozinho na mineradora. Já no final da guerra, Lucca tinha onze anos e os mutantes estavam morrendo. Quando a guerra foi ganha, as pessoas acharam que seriam liberadas para suas casas.
Ledo engano. Continuaram servindo como escravos, agora em nome da reconstrução da humanidade. Mas isso eles não aceitaram. Uma rebelião percorreu todo o mundo, e as pessoas foram se libertando. Acabaram cedendo, e as pessoas fugiram. Sem saber para onde ir, só lembrava de uma pessoa: seu tio. Por algum motivo que ele não sabia, seu tio não foi escravizado. Ele morava numa vila perto da mineradora.
Lucca partiu então para lá. Desnutrido, teve que pedir por comida. Encontrou o estabelecimento do tio no centro da vila, como haviam informado a ele. Achou fácil o lugar, já que seu tio é bem famoso na vila. Bateu na porta ansiosamente. Quando seu tio apareceu, ele ficou muito feliz. Seu tio era um homem alto, barbudo, com uma insinuação de bigode. Vestia um blazer com uma camisa social por baixo, com uma gravata borboleta e uma calça social elegante. Possuía também um enorme chapéu na cabeça, tão grande que roçava no teto. Devia ter pelo menos uns cinquenta centímetros.
- Não tenho esmola para gente de cabelo esquisito. – disse Samuel.
- Tio, sou eu, Lucca! Não se lembra de mim?
- Eu lembro de um sobrinho com esse nome sim, mas ele não tinha esse cabelo feio. Volte quando tiver um cabelo bonito.
Lucca simplesmente não entendia aquilo. Isso não fazia o menor sentido. Não se lembrava de seu tio com hábitos tão estranhos. Mas ele deciciu que atenderia o pedido do tio. Vagou pelas ruas pensando no que fazer. Perdeu-se em seus pensamentos, e quando deu por si estava fora da vila, caminhando por pradarias de capim amarelado.
Começou a chover. Uma torrente de chuva começou a tamborilar na cabeça de Lucca. Ele começou a correr, aquela água machucava seu corpo frágil. Começou a ouvir fortes barulhos de trovoadas e relâmpagos iluminavam o céu. Estava quase chegando a vila quando um raio atingiu Lucca em cheio. De repente tudo ficou escuro. Assim ficou por um tempo. Uma escuridão gritante, um silêncio, como se ele estivesse em um quarto escuro. Foi aí que percebeu que ele estava em um quarto escuro, e ele sentia a presença de alguém.
Tateou uma parede, e achando um interruptor acendeu o que ele achava que seria a luz. Ao fazer isso, uma luz de holofote iluminou uma pessoa. Essa pessoa tinha a sua altura, era tão magro quanto ele, e tinha feições muito parecidas com a dele... Era ele mesmo! Mas aquilo não era um espelho. E havia uma diferença entre os dois: o menino debaixo do holofote, ao invés de ter os cabelos longos e maltratados que nem os dele, possuía cabelos rebeldes, espetados em cinco pontas laterais, e uma ponta na parte de trás da cabeça. Ele resolveu quebrar o silêncio:
- Quem é você? – perguntou Lucca.
- De certa forma pode-se dizer que eu sou você. – disse o menino.
-Onde eu estou?
- Na sua consciência. Você está desmaiado, e vai morrer em breve se não se tratar.
- O que devo fazer então?
-Eu não deveria, mas vou te ajudar. – ele então começou a se digirir a outras pessoas – Ei vocês, será que vocês poderiam nos ajudar?
- Mas é claro mestre, é uma honra serví-lo. – disseram várias vozes em conjunto.
- Pois então leve eu e meu amigo aqui para a casa de seu tio. Sabe onde é?
- Sabemos sim mestre, o levaremos agora mesmo.
Enquanto isso, na casa de Samuel, um barulho veio da porta, como um grande peso caindo sobre ela. Quando Samuel abriu a porta, um menino de cabelo espetado caiu, inconsciente, em seu colo. Olhando pela porta a fora, não viu ninguém. Só via a chuva, os raios, e um estranho corredor de grama de seguia pela rua até onde a vista alcançava.
Capítulo 3 - Deus visita a Terra
Spoiler
Paraíso, época do início da guerra. Na sua entrada, um anjo recebia almas que chegavam da Terra.
- Bem-vindo ao paraíso. – disse o anjo à alma que passava.
-Bem-vindo ao paraíso. – repetiu o anjo a outra alma.
-Bem-vindo ao paraíso.
-Bem-vindo ao paraíso.
- ...Parou. Ninguém mais morreu? – estranhou o anjo.
De repente, o anjo começa a notar uma estrela que surgiu do nada. Começou a brilhar com cada vez mais força, ou será que estava ficando maior? Eis que a estrela começa a tomar forma... De almas! Milhões de almas correndo na velocidade da luz, ou até mais rápido do que isso, as almas corriam a toda, as almas iam esmagá-lo, ele tinha que correr... Tarde demais. As almas passaram pelo portão e pisotearam o anjo, milhares de pés na velocidade da luz o chutavam, uma torrente de almas voando como uma cobra espectral entrando no Paraíso. Finalmente acabou. Quilômetros de almas entraram no Paraíso. O anjo foi esmagado. Ele se sentia como uma barata esmagada várias vezes. Só havia uma coisa a fazer.
-B-B-Bem-vindos ao Paraíso.
Paraíso, tempo atual. No centro do Paraíso, em uma rua cheia de casas douradas, uma casa estava aberta. Dentro dela, havia uma oficina. Nela, trabalhava um homem.
- Chegou a hora de executar meu plano. – disse o homem.
O homem procurou na bagunça de sua residência por alguma coisa. Virava montes de objetos e fuçava em gavetas e armários cheios de tranqueiras, em busca de alguma coisa. Achou o que queria. Ele pegou um megafone, e saindo de sua casa, alçou voo, mesmo sem asas, e quando estava a uns bons cinquenta metros do chão, apreciou a vista. Quilômetros de casas douradas, uma rua com uma mesa retangular que percorria quilômetros, uma praça do tamanho de uma cidade, construções bonitas... e uma montanha de almas empilhadas! Uma mácula em sua perfeita criação. Ele expandiu pela última vez o Paraíso não tinha nem cinco minutos e o Paraíso já lotou assim. Era hora de colocar a mão na massa, pensou.
-Ei cambada! – soou sua voz potente no megafone – mexam essas suas bundas e voem para a Terra! Anjos! Cuidem do Paraíso para mim enquanto eu não voltar!
E as almas começaram a voar para longe, aos montes, como se uma grande cobra se movesse.
Lucca parecia ter aquilo que falam como a fita da sua vida passando pela frente. Lembrava e seu tio e como se conheceram, lembrava-se dele explicando porque gostava de cabelos bonitos.
- Ouça bem, Lucca. Um homem tem que ter o seu orgulho. Essa guerra tirou o orgulho dos homens. Eles andam pelas ruas como se fossem apenas mais uma espécie de ratos que povoam a Terra. Por isso, você tem que ter um cabelo espetado! Olhe o meu!
Samuel tirou a enorme cartola da cabeça. Ele tinha um cabelo espetado do tamanho de uma torre, que era escondida pelo chapéu! O pequeno Lucca estava impressionado.
-Vou ter um cabelo assim, tio.
- Não Lucca, o seu já é muito bom. Não tente imitar os outros, seja original! Ostente o orgulho de um homem e nunca deixem fazer nada com seu cabelo!
Lucca começou a chorar.
-Eu declaro que Samuel Agnelli Agliardi está despejado desta residência, em nome de sua eminência, o Papa.
- Você não vai fazer nada ao meu tio! Se afasta dele!
- Calma, Lucca. Deixem eles ficarem com a casa. Vamos viver nas ruas! Será uma aventura, você vai ver!
As amarras do tronco doíam tanto...
-Olhe bem, Lucca. Aquele prédio é uma das últimas fábricas de roupas do mundo.Você fica aqui e vigia, que eu vou pegar as roupas para a gente.
-Nossa! Essas roupas são muito bonitas! Mas o que é esse símbolo?
Lucca olhava para uma estampa em um casaco enorme, nas costas dele havia a imagem de um planeta e de uma árvore enorme em cima dela.
- Esse é o símbolo da marca da roupa, Nature Domination. Ela representa a força indomável da natureza vencendo o homem. Mas o que importa é que isso vai te proteger do frio.
- Obrigado, tio!
Aquela tocha estava caindo, ele não aguentava mais. Cada segundo parecia demorar uma eternidade. Parou para notar as feições da multidão. Estavam felizes... ou será boquiabertos? Olhavam espantados para cima, e agora que parou para notar o papa também. Não podia se virar para ver o que era, só sabia que o povo começou a se dispersar. Começaram a correr como se tivessem visto o capeta.
E então ele ouviu. Um estrondo enorme, um grande vento assoprou e apagou a tocha. E então a estrutura ruiu, e começou a tombar.
Ouviu barulho de gente correndo, mais não conseguia ver nada, porque ainda estava preso no tronco, de cara para o chão. Ouvia gritos e gemidos, e não estava entendendo mais nada. Ficou vários minutos nessa baderna, até que o silêncio se instaurou. A confusão parecia ter mudado de lugar. Foi aí que uma força começou a levantar o tronco.
- Ora, quem vemos aqui. Um garoto ficou para trás na confusão. – disse a voz de um homem.
O homem era alto, tinha cabelos castanhos jogados para trás, tinha uma barba pontuda, olhos roxos vivos e tinha um nariz pontudo. Vestia um jaleco branco sujo de carvão, uma calça jeans e uma blusa preta. Tinha um megafone na mão.
- O que foi? Parece que viu um fantasma! – o homem começou a rir – Ora, que falta de educação minha, deixe-me soltá-lo.
O homem olhou para a corda, e então ela sumiu. Desapareceu. Sem forças, Lucca caiu no chão.
- Levante, garoto. Isso, muito bom. Permita que eu me apresente. Sou conhecido como o Alfa e o Omêga, o Início e o Fim, o Rei dos Reis, Mestre dos Mestres, ou se quiser, me chame de Javé.
-Deus?
- Tem esse título também. Sim. Como vai? Não muito bem, não? Olhe para seu estado!
- Bem-vindo ao paraíso. – disse o anjo à alma que passava.
-Bem-vindo ao paraíso. – repetiu o anjo a outra alma.
-Bem-vindo ao paraíso.
-Bem-vindo ao paraíso.
- ...Parou. Ninguém mais morreu? – estranhou o anjo.
De repente, o anjo começa a notar uma estrela que surgiu do nada. Começou a brilhar com cada vez mais força, ou será que estava ficando maior? Eis que a estrela começa a tomar forma... De almas! Milhões de almas correndo na velocidade da luz, ou até mais rápido do que isso, as almas corriam a toda, as almas iam esmagá-lo, ele tinha que correr... Tarde demais. As almas passaram pelo portão e pisotearam o anjo, milhares de pés na velocidade da luz o chutavam, uma torrente de almas voando como uma cobra espectral entrando no Paraíso. Finalmente acabou. Quilômetros de almas entraram no Paraíso. O anjo foi esmagado. Ele se sentia como uma barata esmagada várias vezes. Só havia uma coisa a fazer.
-B-B-Bem-vindos ao Paraíso.
Paraíso, tempo atual. No centro do Paraíso, em uma rua cheia de casas douradas, uma casa estava aberta. Dentro dela, havia uma oficina. Nela, trabalhava um homem.
- Chegou a hora de executar meu plano. – disse o homem.
O homem procurou na bagunça de sua residência por alguma coisa. Virava montes de objetos e fuçava em gavetas e armários cheios de tranqueiras, em busca de alguma coisa. Achou o que queria. Ele pegou um megafone, e saindo de sua casa, alçou voo, mesmo sem asas, e quando estava a uns bons cinquenta metros do chão, apreciou a vista. Quilômetros de casas douradas, uma rua com uma mesa retangular que percorria quilômetros, uma praça do tamanho de uma cidade, construções bonitas... e uma montanha de almas empilhadas! Uma mácula em sua perfeita criação. Ele expandiu pela última vez o Paraíso não tinha nem cinco minutos e o Paraíso já lotou assim. Era hora de colocar a mão na massa, pensou.
-Ei cambada! – soou sua voz potente no megafone – mexam essas suas bundas e voem para a Terra! Anjos! Cuidem do Paraíso para mim enquanto eu não voltar!
E as almas começaram a voar para longe, aos montes, como se uma grande cobra se movesse.
Lucca parecia ter aquilo que falam como a fita da sua vida passando pela frente. Lembrava e seu tio e como se conheceram, lembrava-se dele explicando porque gostava de cabelos bonitos.
- Ouça bem, Lucca. Um homem tem que ter o seu orgulho. Essa guerra tirou o orgulho dos homens. Eles andam pelas ruas como se fossem apenas mais uma espécie de ratos que povoam a Terra. Por isso, você tem que ter um cabelo espetado! Olhe o meu!
Samuel tirou a enorme cartola da cabeça. Ele tinha um cabelo espetado do tamanho de uma torre, que era escondida pelo chapéu! O pequeno Lucca estava impressionado.
-Vou ter um cabelo assim, tio.
- Não Lucca, o seu já é muito bom. Não tente imitar os outros, seja original! Ostente o orgulho de um homem e nunca deixem fazer nada com seu cabelo!
Lucca começou a chorar.
-Eu declaro que Samuel Agnelli Agliardi está despejado desta residência, em nome de sua eminência, o Papa.
- Você não vai fazer nada ao meu tio! Se afasta dele!
- Calma, Lucca. Deixem eles ficarem com a casa. Vamos viver nas ruas! Será uma aventura, você vai ver!
As amarras do tronco doíam tanto...
-Olhe bem, Lucca. Aquele prédio é uma das últimas fábricas de roupas do mundo.Você fica aqui e vigia, que eu vou pegar as roupas para a gente.
-Nossa! Essas roupas são muito bonitas! Mas o que é esse símbolo?
Lucca olhava para uma estampa em um casaco enorme, nas costas dele havia a imagem de um planeta e de uma árvore enorme em cima dela.
- Esse é o símbolo da marca da roupa, Nature Domination. Ela representa a força indomável da natureza vencendo o homem. Mas o que importa é que isso vai te proteger do frio.
- Obrigado, tio!
Aquela tocha estava caindo, ele não aguentava mais. Cada segundo parecia demorar uma eternidade. Parou para notar as feições da multidão. Estavam felizes... ou será boquiabertos? Olhavam espantados para cima, e agora que parou para notar o papa também. Não podia se virar para ver o que era, só sabia que o povo começou a se dispersar. Começaram a correr como se tivessem visto o capeta.
E então ele ouviu. Um estrondo enorme, um grande vento assoprou e apagou a tocha. E então a estrutura ruiu, e começou a tombar.
Ouviu barulho de gente correndo, mais não conseguia ver nada, porque ainda estava preso no tronco, de cara para o chão. Ouvia gritos e gemidos, e não estava entendendo mais nada. Ficou vários minutos nessa baderna, até que o silêncio se instaurou. A confusão parecia ter mudado de lugar. Foi aí que uma força começou a levantar o tronco.
- Ora, quem vemos aqui. Um garoto ficou para trás na confusão. – disse a voz de um homem.
O homem era alto, tinha cabelos castanhos jogados para trás, tinha uma barba pontuda, olhos roxos vivos e tinha um nariz pontudo. Vestia um jaleco branco sujo de carvão, uma calça jeans e uma blusa preta. Tinha um megafone na mão.
- O que foi? Parece que viu um fantasma! – o homem começou a rir – Ora, que falta de educação minha, deixe-me soltá-lo.
O homem olhou para a corda, e então ela sumiu. Desapareceu. Sem forças, Lucca caiu no chão.
- Levante, garoto. Isso, muito bom. Permita que eu me apresente. Sou conhecido como o Alfa e o Omêga, o Início e o Fim, o Rei dos Reis, Mestre dos Mestres, ou se quiser, me chame de Javé.
-Deus?
- Tem esse título também. Sim. Como vai? Não muito bem, não? Olhe para seu estado!
Capítulo 4 - No princípio, eram as trevas
Spoiler
- Mas como assim você é Deus? O que foi essa confusão toda? Porque você está aqui? Você veio me salvar?
-Calma, calma, uma coisa de cada vez. Eu mandei uma tropa de almas invadir o planeta e fazer confusão. E eu não vim exatamente para te salvar, mas que bom que você está vivo. Estou aqui para derrotar Lúcifer e acabar com seu plano.
-Plano? Que plano?
- De destruir a humanidade, ora. E está fazendo um ótimo trabalho, se quer saber.
- E o que você vai fazer para impedi-lo?
- A questão não é o que eu vou fazer, mas sim o que você vai fazer.
- Como assim o que eu vou fazer?
- Eu estou te escolhendo para destruir Lúcifer. Obviamente você não conseguiria derrotá-lo agora, por isso eu liberei as almas na Terra, para que você capture as almas e use os poderes delas para derrotá-lo.
- E porque você mesmo não vai derrotá-lo? Quero dizer, eu sou um mero mortal, e você é Deus! Vá matá-lo.
- Porque é próximo de impossível eu mesmo derrotá-lo. Mas você pode.
- Seu retardado, se você que é todo-poderoso não pode como que eu vou poder?
-Vou explicar por que. Vamos voltar para o início dos tempos. No princípio, não havia nada. E quando digo nada, eu digo nada mesmo. Mas como todas as coisas, o nada também tem uma essência. Essa essência se condensou e se transformou na primeira alma. Almas são condensações da essência de alguma coisa. Qualquer coisa. Você possui uma alma, e ela por sua vez é a condensação da essência de alguma coisa.
-Que coisa?
-Não faço ideia. Enfim, essa primeira alma, era sozinha. Pode-se dizer que ao mesmo tempo que existia, não existia. Ele era uma não-coisa. Ele queria existir, e dessa vontade eu nasci. Ele queria poder, e dessa vontade nasceu Lúcifer. Ao nos criar, ele deixou de existir. Nós somos as primeiras almas gêmeas.
-Tipo namorados?
-Não. Vou explicar. Almas sozinhas não são imortais. Faltam alguma coisa para serem assim. Toda alma possui uma alma gêmea, com uma essência complementar a da outra. Acontece que a minha essência e a essência dele são antagônicas, opostas. Enquanto eu sou a essência da criação, ele é a essência da destruição. Eu só preciso pensar que alguma coisa aparece. O poder dele...
Trevas. Não há nenhuma luz. Eu, eu quero ver. Ver alguma coisa. Alguma luz aqui... Explosão. Raios de luz irradiam por todos os lados. Uma estrela azul, fumegante, uma bola de fogo irradia por todos os lados. E vejo uma visão linda. Uma visão incrível. Um anjo, com cabelos de fogo, com seis asas de fogo, brilhando na escuridão. Como eu não tinha visto isso antes? Devia estar cego e agora via. Mas o anjo olhava de um modo estranho para a estrela. Olhava com raiva. Com inveja. Irado, o anjo voou na direção da estrela e a partiu em mil pedaços.
Começava uma história de rivalidade. Tudo o que eu criava, Lúcifer destruía. Eu dei a ele o conhecimento do universo, sabedoria. Tentei ser seu amigo. Mas ele só me odiava. E eu passei a odiá-lo também. Se ele destruiria tudo o que eu criasse, eu iria me separar dele. Criei um muro infinito e indestrutível para criar coisas sem que ele destruísse.
Como sempre ele se preparou para destruir o muro. Só que quando colidiu na parede, ele foi repelido, e uma lasca da parede saiu. Irritado, afastou-se bastante e veio com muita velocidade. Agora meus amigos, eu pergunto para vocês, o que acontece quando uma força imparável bate com um muro intransponível? Simples, as forças se anulam. Lúcifer voou longe, e o muro se partiu em infinitas bolas flamejantes. Isso hoje em dia é conhecido como Big Bang.
- Então você criou o mundo, mas e daí? Por que você não pode derrotá-lo?
- Almas gêmeas comuns possuem cada uma um núcleo. Juntos, esses núcleos tornam um ser imortal. O homem possui o núcleo da saúde, enquanto a mulher possui o núcleo da resistência. Os núcleos não podem ficar na mesma alma, por que esses núcleos se repelem naturalmente. Por isso que a reação natural das almas é se apaixonarem perdidamente, para se atraírem. Você nunca vai se sentir mais atraído por alguém do que sua alma gêmea, e nunca será mais feliz com outra pessoa.
- Então quando vocês estão se confrontando ou estão perto são imortais?
- Sim e não. Lúcifer e eu somos homens, e portanto possuímos o mesmo núcleo, o da saúde. Esse núcleo promove uma alta regeneração da alma. Por isso que quando nos combatemos, não importa que ataque ele der, ou que ataque eu der: nos regeneraremos em segundos. Núcleos iguais se atraem, portanto a reação natural das almas assim é se odiar cegamente. Nunca um vai ficar tranquilo enquanto um estiver vivo. E eu quero dar um basta nisso. Já chega disso. Por isso que você vai matá-lo. Por que eu não posso. Mas você pode.
- E por que logo eu? Por que não alguém mais preparado?
- Não interessa realmente quem for. Eu escolhi você, e eu te transformarei e treinarei para ser a pessoa que vai salvar o universo. Confie em mim. Eu amo minha criações, e vocês são como filhos para mim. Não quero que ele destrua todos vocês. Junte-se a mim.
- Tá bom. Mas o que eu devo fazer?
- Primeiro você deve descobrir qual é o seu poder. Venha comigo.
Estavam em uma floresta, a alguns quilômetros da vila. Deus tinha dito que ele deveria pensar, que o seu poder viria naturalmente.
- Em que eu devo pensar?
- Qualquer coisa. Não se preocupe, o seu poder virá. Eu já dei a minha benção, você manifestará seu poder. Agora se me der licença, irei dormir. Me acorde quando tiver descoberto seu poder.
- Mas será que você não pode me dar uma dica?
Ele já estava roncando, dormia como se não o fizesse há semanas. Lucca não sabia o que fazer.
-FOGO! – Nada aconteceu.
- TERRA! – Nada. – LUZ! ÁGUA! AR! AREIA! TREVAS!
Absolutamente nada acontecia. Horas se passavam sem que nada acontecesse. Talvez ele fosse a essência de ser inútil. Deus só pode ter escolhido a pessoa errada. Entediado, sentou no chão e começou a remexer no chão. Pegou a terra e deixou escorrer pelos seus dedos. Enquanto fazia isso, olhava para as árvores da floresta. Tão bonitas...
Sentiu um formigamento nas mãos. Onde estava a terra nas mãos estava nascendo um broto! Uma planta! Entusiasmado, foi acordar Deus.
- Olha só o que consegui! – E repetiu o que fez.
-Bom, agora tente sem a terra.
E assim fez. Mas nada aconteceu. Talvez só funcionasse com terra?
-Na verdade não. Pense nas árvores, pense que você quer que uma planta saia da sua mão.
E assim ele fez. Sentiu o formigamento nas mãos. Sem a terra, ele pode perceber que sua mão ficava esverdeada, e que aí começava a brotar uma planta.
- Não pare por aí! Imagine uma árvore saindo de você!
Ele começou a ficar verde em várias partes, e raízes começaram a sair dele. Elas se convergiam em círculos, se entrelaçando, e seguindo para o chão. Logo começou a subir e crescer em tamanho, e uma árvore com o dobro de sua altura estava na sua frente.
- Olá, mestre. – disse a árvore com a maior felicidade do mundo.
-Você ouviu isso?
- Se você está falando do vento, ouvi sim.
- A árvore falou! Ela me cumprimentou!
- Na verdade, só você pode ouvir isso. Tu, que és a essência da flora. A condensação das plantas!
-Calma, calma, uma coisa de cada vez. Eu mandei uma tropa de almas invadir o planeta e fazer confusão. E eu não vim exatamente para te salvar, mas que bom que você está vivo. Estou aqui para derrotar Lúcifer e acabar com seu plano.
-Plano? Que plano?
- De destruir a humanidade, ora. E está fazendo um ótimo trabalho, se quer saber.
- E o que você vai fazer para impedi-lo?
- A questão não é o que eu vou fazer, mas sim o que você vai fazer.
- Como assim o que eu vou fazer?
- Eu estou te escolhendo para destruir Lúcifer. Obviamente você não conseguiria derrotá-lo agora, por isso eu liberei as almas na Terra, para que você capture as almas e use os poderes delas para derrotá-lo.
- E porque você mesmo não vai derrotá-lo? Quero dizer, eu sou um mero mortal, e você é Deus! Vá matá-lo.
- Porque é próximo de impossível eu mesmo derrotá-lo. Mas você pode.
- Seu retardado, se você que é todo-poderoso não pode como que eu vou poder?
-Vou explicar por que. Vamos voltar para o início dos tempos. No princípio, não havia nada. E quando digo nada, eu digo nada mesmo. Mas como todas as coisas, o nada também tem uma essência. Essa essência se condensou e se transformou na primeira alma. Almas são condensações da essência de alguma coisa. Qualquer coisa. Você possui uma alma, e ela por sua vez é a condensação da essência de alguma coisa.
-Que coisa?
-Não faço ideia. Enfim, essa primeira alma, era sozinha. Pode-se dizer que ao mesmo tempo que existia, não existia. Ele era uma não-coisa. Ele queria existir, e dessa vontade eu nasci. Ele queria poder, e dessa vontade nasceu Lúcifer. Ao nos criar, ele deixou de existir. Nós somos as primeiras almas gêmeas.
-Tipo namorados?
-Não. Vou explicar. Almas sozinhas não são imortais. Faltam alguma coisa para serem assim. Toda alma possui uma alma gêmea, com uma essência complementar a da outra. Acontece que a minha essência e a essência dele são antagônicas, opostas. Enquanto eu sou a essência da criação, ele é a essência da destruição. Eu só preciso pensar que alguma coisa aparece. O poder dele...
Trevas. Não há nenhuma luz. Eu, eu quero ver. Ver alguma coisa. Alguma luz aqui... Explosão. Raios de luz irradiam por todos os lados. Uma estrela azul, fumegante, uma bola de fogo irradia por todos os lados. E vejo uma visão linda. Uma visão incrível. Um anjo, com cabelos de fogo, com seis asas de fogo, brilhando na escuridão. Como eu não tinha visto isso antes? Devia estar cego e agora via. Mas o anjo olhava de um modo estranho para a estrela. Olhava com raiva. Com inveja. Irado, o anjo voou na direção da estrela e a partiu em mil pedaços.
Começava uma história de rivalidade. Tudo o que eu criava, Lúcifer destruía. Eu dei a ele o conhecimento do universo, sabedoria. Tentei ser seu amigo. Mas ele só me odiava. E eu passei a odiá-lo também. Se ele destruiria tudo o que eu criasse, eu iria me separar dele. Criei um muro infinito e indestrutível para criar coisas sem que ele destruísse.
Como sempre ele se preparou para destruir o muro. Só que quando colidiu na parede, ele foi repelido, e uma lasca da parede saiu. Irritado, afastou-se bastante e veio com muita velocidade. Agora meus amigos, eu pergunto para vocês, o que acontece quando uma força imparável bate com um muro intransponível? Simples, as forças se anulam. Lúcifer voou longe, e o muro se partiu em infinitas bolas flamejantes. Isso hoje em dia é conhecido como Big Bang.
- Então você criou o mundo, mas e daí? Por que você não pode derrotá-lo?
- Almas gêmeas comuns possuem cada uma um núcleo. Juntos, esses núcleos tornam um ser imortal. O homem possui o núcleo da saúde, enquanto a mulher possui o núcleo da resistência. Os núcleos não podem ficar na mesma alma, por que esses núcleos se repelem naturalmente. Por isso que a reação natural das almas é se apaixonarem perdidamente, para se atraírem. Você nunca vai se sentir mais atraído por alguém do que sua alma gêmea, e nunca será mais feliz com outra pessoa.
- Então quando vocês estão se confrontando ou estão perto são imortais?
- Sim e não. Lúcifer e eu somos homens, e portanto possuímos o mesmo núcleo, o da saúde. Esse núcleo promove uma alta regeneração da alma. Por isso que quando nos combatemos, não importa que ataque ele der, ou que ataque eu der: nos regeneraremos em segundos. Núcleos iguais se atraem, portanto a reação natural das almas assim é se odiar cegamente. Nunca um vai ficar tranquilo enquanto um estiver vivo. E eu quero dar um basta nisso. Já chega disso. Por isso que você vai matá-lo. Por que eu não posso. Mas você pode.
- E por que logo eu? Por que não alguém mais preparado?
- Não interessa realmente quem for. Eu escolhi você, e eu te transformarei e treinarei para ser a pessoa que vai salvar o universo. Confie em mim. Eu amo minha criações, e vocês são como filhos para mim. Não quero que ele destrua todos vocês. Junte-se a mim.
- Tá bom. Mas o que eu devo fazer?
- Primeiro você deve descobrir qual é o seu poder. Venha comigo.
Estavam em uma floresta, a alguns quilômetros da vila. Deus tinha dito que ele deveria pensar, que o seu poder viria naturalmente.
- Em que eu devo pensar?
- Qualquer coisa. Não se preocupe, o seu poder virá. Eu já dei a minha benção, você manifestará seu poder. Agora se me der licença, irei dormir. Me acorde quando tiver descoberto seu poder.
- Mas será que você não pode me dar uma dica?
Ele já estava roncando, dormia como se não o fizesse há semanas. Lucca não sabia o que fazer.
-FOGO! – Nada aconteceu.
- TERRA! – Nada. – LUZ! ÁGUA! AR! AREIA! TREVAS!
Absolutamente nada acontecia. Horas se passavam sem que nada acontecesse. Talvez ele fosse a essência de ser inútil. Deus só pode ter escolhido a pessoa errada. Entediado, sentou no chão e começou a remexer no chão. Pegou a terra e deixou escorrer pelos seus dedos. Enquanto fazia isso, olhava para as árvores da floresta. Tão bonitas...
Sentiu um formigamento nas mãos. Onde estava a terra nas mãos estava nascendo um broto! Uma planta! Entusiasmado, foi acordar Deus.
- Olha só o que consegui! – E repetiu o que fez.
-Bom, agora tente sem a terra.
E assim fez. Mas nada aconteceu. Talvez só funcionasse com terra?
-Na verdade não. Pense nas árvores, pense que você quer que uma planta saia da sua mão.
E assim ele fez. Sentiu o formigamento nas mãos. Sem a terra, ele pode perceber que sua mão ficava esverdeada, e que aí começava a brotar uma planta.
- Não pare por aí! Imagine uma árvore saindo de você!
Ele começou a ficar verde em várias partes, e raízes começaram a sair dele. Elas se convergiam em círculos, se entrelaçando, e seguindo para o chão. Logo começou a subir e crescer em tamanho, e uma árvore com o dobro de sua altura estava na sua frente.
- Olá, mestre. – disse a árvore com a maior felicidade do mundo.
-Você ouviu isso?
- Se você está falando do vento, ouvi sim.
- A árvore falou! Ela me cumprimentou!
- Na verdade, só você pode ouvir isso. Tu, que és a essência da flora. A condensação das plantas!
Capítulo 5 - O Diabo visita a Terra
Spoiler
- A essência das plantas, hein... Mas então, o que devo fazer agora?
- Agora você vai se preparar para caçar almas. Nunca lute com almas gêmeas juntas, afinal elas são imortais e muito difíceis de vencer. Você vai precisar de equipamentos específicos para caçar almas. Aqui estão.
Deus passou para Lucca um colete com quatro buracos, ou encaixes, ele não tinha certeza e algumas bolas de cristal do tamanho de bolas de tênis.
- Pra que servem essas bolas? E esses encaixes no colete?
- Os encaixes são para você colocar as bolas de cristal. As bolas servem para aprisionar as almas. Só eu posso tirá-las de lá quando você as puser. Eu as libertarei quando você terminar sua missão. Tome cuidado, porque só entram na bola quem quiser de boa vontade. Se a alma não quiser entrar de boa vontade, o que vai ser a maioria dos casos, você terá que derrotá-la primeiro para deixá-lo inconsciente. Só aí poderá capturar a alma. Quando você puser a bola com a alma nos encaixes, você poderá usar o poder da essência da alma que você capturou. Somente corpos vivos podem usar isso, portanto não morra. Você pode por até quatro bolas. Você pode combinar os poderes entre si ou combinar com o seu poder. Seja criativo.
- Entendi. E agora?
- Agora, você captura sua primeira alma. Olhe para a floresta.
Lucca viu um espectro branco correndo a toda em sua direção. Ele não teve tempo nem de pensar duas vezes, pois a alma veio com o braço estendido e pegou pelo pescoço com ele e continuou correndo. Lucca voou uns cinco metros, e começou a tossir com força. Seu pescoço estava doendo muito. A alma voltava em sua direção, já se preparando para dar o mesmo ataque de antes. Dessa vez Lucca não ficou parado. Antes que ele chegasse nele, Lucca colocou a mão no chão e pensou em raízes. Então raízes grossas saíram da terra voando rapidamente na direção da alma.
Ela começou a ficar presa por causa das raízes que o cercavam, mas num ataque de fúria ela se libertou e correu na direção de Lucca. Foi incrivelmente rápido. Chegando perto de Lucca, a alma deu uma voadora na direção dele e o acertou em cheio na cabeça. Afundando no chão e sangrando no nariz, Lucca estava atordoado, mas a alma já se preparava para o próximo ataque. Ela subiu em uma árvore alta e pulou dela, fechando as mãos em punho e se jogando para afundar as mãos no peito de Lucca.
No último segundo Lucca conseguiu rolar para o lado. Um buraco de dez centímetros abriu na terra dura. A alma corria histericamente em sua direção, com o braço esticado de novo. Dessa vez Lucca pensou rápido. Quando a alma estava a poucos metros dele, Lucca imaginou uma árvore brotando do chão. Assim quando a alma colidiu, ela bateu de cara com a árvore, que começava grossa do chão, mas se afinava para cima. E no topo da árvore que crescia, estava Lucca. A alma subiu loucamente a árvore, correndo, fazendo um ângulo de noventa graus com ela. Seu destino estava selado, pensou Lucca.
A árvore já tinha uns quinze metros. Fez com que a árvore parasse de crescer e esperou. Quando a alma já estava chegando no topo, Lucca imaginou que dezenas de galhos pontudos saíam da árvore. E assim cinco galhos afiados furaram com força a alma. Enquanto capotava para o chão rolando, dezenas de galhos ao longo da árvore fincavam no corpo da alma. Sangue jorrava de seu peito enquanto descia. Quando estatelou no chão, havia pelo menos uns quinze galhos manchados de sangue perfurando a alma. Lucca imaginou a árvore e descendo, e rapidamente chegou ao chão.
-Foi um prazer servi-lo, mestre. – Exclamou a árvore pontuda.
Lucca pegou a bola de cristal e jogou na alma caída no chão. Rapidamente a bola absorveu a alma, e então estava feito.
- Meus parabéns, você agora capturou sua primeira alma.
- Eu não a matei, não?
- Claro que não, Lucca, almas são muito mais resistentes que seres vivos. Não se esqueça também que você capturou um homem, que possui o núcleo da saúde. Ele se regenerará rapidamente.
E então ao longe, no céu, Lucca viu um brilho intenso. Um meteorito vermelho, do tamanho de uma grande bola de yoga, descia do céu. Ao colidir com a terra, abriu uma cratera de cinco metros de diâmetro. Viu então que não era um meteorito, e sim uma pessoa. Uma alma. Empolgado com sua primeira captura, decidiu que aquele seria sua segunda alma. Ele nem parou para notar que a alma possui seis asas de fogo.
- Não vá Lucca, não lute com ele!
Mas Lucca estava correndo. Ele tinha decidido que dessa vez ele daria primeiro golpe. Preparou um soco e correu a toda na direção do serafim. Acertou um soco em cheio nele... Mas o serafim nem se mexeu. O serafim estava parado, com o braço direito estendido. O braço direito dele havia perfurado o peito de Lucca, e sua mão segurava o coração dele que ainda batia.
- Patético.
Ele veio arrastando Lucca, indo na direção de Deus. Vestia uma camisa social aberta, com padrões de ziguezague vermelhos e amarelos. Vestia uma bermuda com tons de fogo e sandálias. Seu cabelo arrepiado era flamejante, e seus olhos, dourados.
- Então era isso que você ia usar para me derrotar? Pode ficar com o seu campeão. Está morto. Você realmente me decepciona, Javé.
- Eu não vou tolerar que você permaneça aqui, Lúcifer. Saia deste planeta, já!
- Eu vou porque quero. Até destruiria esse planeta, mas eu vou adorar ver a sua cara quando ele for destruído pela sua própria criação. – E riu histericamente.
Lúcifer voou e desapareceu, deixando Lucca caído no chão.
- Agora você vai se preparar para caçar almas. Nunca lute com almas gêmeas juntas, afinal elas são imortais e muito difíceis de vencer. Você vai precisar de equipamentos específicos para caçar almas. Aqui estão.
Deus passou para Lucca um colete com quatro buracos, ou encaixes, ele não tinha certeza e algumas bolas de cristal do tamanho de bolas de tênis.
- Pra que servem essas bolas? E esses encaixes no colete?
- Os encaixes são para você colocar as bolas de cristal. As bolas servem para aprisionar as almas. Só eu posso tirá-las de lá quando você as puser. Eu as libertarei quando você terminar sua missão. Tome cuidado, porque só entram na bola quem quiser de boa vontade. Se a alma não quiser entrar de boa vontade, o que vai ser a maioria dos casos, você terá que derrotá-la primeiro para deixá-lo inconsciente. Só aí poderá capturar a alma. Quando você puser a bola com a alma nos encaixes, você poderá usar o poder da essência da alma que você capturou. Somente corpos vivos podem usar isso, portanto não morra. Você pode por até quatro bolas. Você pode combinar os poderes entre si ou combinar com o seu poder. Seja criativo.
- Entendi. E agora?
- Agora, você captura sua primeira alma. Olhe para a floresta.
Lucca viu um espectro branco correndo a toda em sua direção. Ele não teve tempo nem de pensar duas vezes, pois a alma veio com o braço estendido e pegou pelo pescoço com ele e continuou correndo. Lucca voou uns cinco metros, e começou a tossir com força. Seu pescoço estava doendo muito. A alma voltava em sua direção, já se preparando para dar o mesmo ataque de antes. Dessa vez Lucca não ficou parado. Antes que ele chegasse nele, Lucca colocou a mão no chão e pensou em raízes. Então raízes grossas saíram da terra voando rapidamente na direção da alma.
Ela começou a ficar presa por causa das raízes que o cercavam, mas num ataque de fúria ela se libertou e correu na direção de Lucca. Foi incrivelmente rápido. Chegando perto de Lucca, a alma deu uma voadora na direção dele e o acertou em cheio na cabeça. Afundando no chão e sangrando no nariz, Lucca estava atordoado, mas a alma já se preparava para o próximo ataque. Ela subiu em uma árvore alta e pulou dela, fechando as mãos em punho e se jogando para afundar as mãos no peito de Lucca.
No último segundo Lucca conseguiu rolar para o lado. Um buraco de dez centímetros abriu na terra dura. A alma corria histericamente em sua direção, com o braço esticado de novo. Dessa vez Lucca pensou rápido. Quando a alma estava a poucos metros dele, Lucca imaginou uma árvore brotando do chão. Assim quando a alma colidiu, ela bateu de cara com a árvore, que começava grossa do chão, mas se afinava para cima. E no topo da árvore que crescia, estava Lucca. A alma subiu loucamente a árvore, correndo, fazendo um ângulo de noventa graus com ela. Seu destino estava selado, pensou Lucca.
A árvore já tinha uns quinze metros. Fez com que a árvore parasse de crescer e esperou. Quando a alma já estava chegando no topo, Lucca imaginou que dezenas de galhos pontudos saíam da árvore. E assim cinco galhos afiados furaram com força a alma. Enquanto capotava para o chão rolando, dezenas de galhos ao longo da árvore fincavam no corpo da alma. Sangue jorrava de seu peito enquanto descia. Quando estatelou no chão, havia pelo menos uns quinze galhos manchados de sangue perfurando a alma. Lucca imaginou a árvore e descendo, e rapidamente chegou ao chão.
-Foi um prazer servi-lo, mestre. – Exclamou a árvore pontuda.
Lucca pegou a bola de cristal e jogou na alma caída no chão. Rapidamente a bola absorveu a alma, e então estava feito.
- Meus parabéns, você agora capturou sua primeira alma.
- Eu não a matei, não?
- Claro que não, Lucca, almas são muito mais resistentes que seres vivos. Não se esqueça também que você capturou um homem, que possui o núcleo da saúde. Ele se regenerará rapidamente.
E então ao longe, no céu, Lucca viu um brilho intenso. Um meteorito vermelho, do tamanho de uma grande bola de yoga, descia do céu. Ao colidir com a terra, abriu uma cratera de cinco metros de diâmetro. Viu então que não era um meteorito, e sim uma pessoa. Uma alma. Empolgado com sua primeira captura, decidiu que aquele seria sua segunda alma. Ele nem parou para notar que a alma possui seis asas de fogo.
- Não vá Lucca, não lute com ele!
Mas Lucca estava correndo. Ele tinha decidido que dessa vez ele daria primeiro golpe. Preparou um soco e correu a toda na direção do serafim. Acertou um soco em cheio nele... Mas o serafim nem se mexeu. O serafim estava parado, com o braço direito estendido. O braço direito dele havia perfurado o peito de Lucca, e sua mão segurava o coração dele que ainda batia.
- Patético.
Ele veio arrastando Lucca, indo na direção de Deus. Vestia uma camisa social aberta, com padrões de ziguezague vermelhos e amarelos. Vestia uma bermuda com tons de fogo e sandálias. Seu cabelo arrepiado era flamejante, e seus olhos, dourados.
- Então era isso que você ia usar para me derrotar? Pode ficar com o seu campeão. Está morto. Você realmente me decepciona, Javé.
- Eu não vou tolerar que você permaneça aqui, Lúcifer. Saia deste planeta, já!
- Eu vou porque quero. Até destruiria esse planeta, mas eu vou adorar ver a sua cara quando ele for destruído pela sua própria criação. – E riu histericamente.
Lúcifer voou e desapareceu, deixando Lucca caído no chão.
Capítulo 6 - Começar de novo
Spoiler
-Vamos! Vamos, acorde! – Uma voz fantasmagórica dizia para Lucca.
Lucca abriu os olhos com dificuldade, e espantou-se com o que viu. Ele via nada mais nada menos do que um polvo flutuando em cima dele. Não era um polvo exatamente. Tinha Oito tentáculos, mas não tinham pontas. Eram tentáculos redondos. Tinha olhos pretos compridos e ovais, uma cruz verde com pontas redondas brilhando na pele e uma coroa dourada com pedras preciosas cravejadas flutuando acima dele.
- Finalmente você acordou, seu grande idiota!
Lucca se levantou e olhou em volta. Via uma floresta, uma cratera no chão ao longe, e embaixo dele uma poça e sangue se formava. Sangue... O buraco! Lúcifer tinha feito um buraco no peito dele! Tateou o peito, mas não achou nenhum ferimento. Então procurou por Deus, mas ele não estava em lugar nenhum, só havia o polvo olhando para ele com cara brava.
- Quem é você?
- Deus!
- Você não é Deus, você é um polvo.
- Por causa de você eu me transformei em um! Eu impus a mim mesmo uma regra a muito tempo atrás. Quando eu criei Adão e Eva e eles me traíram a confiança, eu fiquei tão irritado que arranquei um pedaço da Terra, hoje conhecida como Lua. Depois disso eu percebi que não ia dar certo se eu ficasse interferindo na humanidade eu ia acabar destruindo-a. Então eu criei uma regra com a pena do destino que...
- Pena do destino? O que é isso?
- Não me interrompa! É um objeto que criei que cria uma regra para uma pessoa, e uma punição para a mesma. A regra que criei para mim foi a de que eu não interferiria diretamente com o curso da humanidade. A punição eu botei como aleatória somada à limitação dos meus poderes criativos. E cá estou, impotente e em forma de polvo, por sua culpa!
- Então o buraco no meu peito...
- Sim, eu que te salvei! Seu grande pateta! Nunca mais seja tão estúpido, até porque da próxima vez eu não posso te salvar.
- Sim, tudo bem. Mas agora, o que eu faço? Fico capturando almas até eu ficar suficientemente forte para derrotar Lúcifer?
- Na verdade não. Eu quero que você procure por almas cujos poderes te levem vivo para fora desse planeta.
- Como assim?
- Não fique chocado, mas esse não é o único planeta que eu povoei. Eu pus uma espécie dominante em planetas distantes, em diferentes galáxias. Por isso você vai ter que achar um meio de se mexer para lá. Ou você acha que eu ia mandar os quinhentos e oitenta trilhões de almas para a Terra? Somente setenta e três bilhões de almas são humanas, nunca que eu ia mandar as alienígenas para cá.
- Tá, eu vou a planetas alienígenas. Mas e depois?
- Ao longo do caminho você vai adquirindo experiência em batalhas e almas com poderes. Uma hora você pensará em um plano para destruir Lúcifer. Vou te explicar detalhadamente como funciona o poder de Lúcifer. Ele controla a inércia das coisas, ou seja, a tendência delas de ficar ou não em movimento. Essa escala de controle é atômica, não menos que isso. Por isso ele pode destruir qualquer coisa. Ele pode tornar a tendência do corpo dele de continuar em movimento absoluta, e portanto pode passar por qualquer barreira. Ele pode também tornar a tendência dele de estar parado absoluta, se tornando uma barreira intransponível. Mas Lúcifer tem um ponto fraco: seu orgulho. Ele não é invencível, ao contrário do que ele pensa. Surpreenda-o com um bom plano! Use o elemento surpresa! Em toda a sua viagem para se tornar mais forte, seu foco não deve ser a força física, até porque não existe nenhuma que possa vencê-lo. Vença-o com sua inteligência!
- Farei o meu melhor!
Lucca abriu os olhos com dificuldade, e espantou-se com o que viu. Ele via nada mais nada menos do que um polvo flutuando em cima dele. Não era um polvo exatamente. Tinha Oito tentáculos, mas não tinham pontas. Eram tentáculos redondos. Tinha olhos pretos compridos e ovais, uma cruz verde com pontas redondas brilhando na pele e uma coroa dourada com pedras preciosas cravejadas flutuando acima dele.
- Finalmente você acordou, seu grande idiota!
Lucca se levantou e olhou em volta. Via uma floresta, uma cratera no chão ao longe, e embaixo dele uma poça e sangue se formava. Sangue... O buraco! Lúcifer tinha feito um buraco no peito dele! Tateou o peito, mas não achou nenhum ferimento. Então procurou por Deus, mas ele não estava em lugar nenhum, só havia o polvo olhando para ele com cara brava.
- Quem é você?
- Deus!
- Você não é Deus, você é um polvo.
- Por causa de você eu me transformei em um! Eu impus a mim mesmo uma regra a muito tempo atrás. Quando eu criei Adão e Eva e eles me traíram a confiança, eu fiquei tão irritado que arranquei um pedaço da Terra, hoje conhecida como Lua. Depois disso eu percebi que não ia dar certo se eu ficasse interferindo na humanidade eu ia acabar destruindo-a. Então eu criei uma regra com a pena do destino que...
- Pena do destino? O que é isso?
- Não me interrompa! É um objeto que criei que cria uma regra para uma pessoa, e uma punição para a mesma. A regra que criei para mim foi a de que eu não interferiria diretamente com o curso da humanidade. A punição eu botei como aleatória somada à limitação dos meus poderes criativos. E cá estou, impotente e em forma de polvo, por sua culpa!
- Então o buraco no meu peito...
- Sim, eu que te salvei! Seu grande pateta! Nunca mais seja tão estúpido, até porque da próxima vez eu não posso te salvar.
- Sim, tudo bem. Mas agora, o que eu faço? Fico capturando almas até eu ficar suficientemente forte para derrotar Lúcifer?
- Na verdade não. Eu quero que você procure por almas cujos poderes te levem vivo para fora desse planeta.
- Como assim?
- Não fique chocado, mas esse não é o único planeta que eu povoei. Eu pus uma espécie dominante em planetas distantes, em diferentes galáxias. Por isso você vai ter que achar um meio de se mexer para lá. Ou você acha que eu ia mandar os quinhentos e oitenta trilhões de almas para a Terra? Somente setenta e três bilhões de almas são humanas, nunca que eu ia mandar as alienígenas para cá.
- Tá, eu vou a planetas alienígenas. Mas e depois?
- Ao longo do caminho você vai adquirindo experiência em batalhas e almas com poderes. Uma hora você pensará em um plano para destruir Lúcifer. Vou te explicar detalhadamente como funciona o poder de Lúcifer. Ele controla a inércia das coisas, ou seja, a tendência delas de ficar ou não em movimento. Essa escala de controle é atômica, não menos que isso. Por isso ele pode destruir qualquer coisa. Ele pode tornar a tendência do corpo dele de continuar em movimento absoluta, e portanto pode passar por qualquer barreira. Ele pode também tornar a tendência dele de estar parado absoluta, se tornando uma barreira intransponível. Mas Lúcifer tem um ponto fraco: seu orgulho. Ele não é invencível, ao contrário do que ele pensa. Surpreenda-o com um bom plano! Use o elemento surpresa! Em toda a sua viagem para se tornar mais forte, seu foco não deve ser a força física, até porque não existe nenhuma que possa vencê-lo. Vença-o com sua inteligência!
- Farei o meu melhor!
Capítulo 7 – Os assassinos de São Pedro
Spoiler
Lucca andava com o polvo flutuando a seu lado. Ele tinha que procurar uma alma que tivesse um poder que o levasse a outro planeta. Chegou a conclusão que deveria procurar por informações nas vilas se alguém havia visto uma alma que teletransportasse, ou uma alma que sobrevivesse ao vácuo... Achou melhor a hipótese da alma que teletransportava. Ele tinha achado esquisito o fato que a alma com que lutou não tinha voado. Questionou Deus quanto a isso.
- Por que aquela alma não voou? Ela poderia ter desviado dos espinhos, ou voado ao invés de correr pela árvore.
- Almas não podem voar Lucca, só as que são essência de alguma coisa que voe. A única situação que uma alma pode “voar”, é quando ela se desmaterializa para sair de um planeta. Mas aí ela alcançará uma velocidade igual a da luz e não conseguir fazer outro voo além de um em linha reta. Almas não podem flutuar por aí.
- Entendo. Veja, estamos chegando à vila!
A vila de São Pedro era um ótimo lugar para buscar informações. Era uma das maiores vilas da Europa, e uma das mais perigosas também. Por haver um ninho de mutantes remanescentes relativamente perto da vila, surgiram casas e famílias assassinas ao longo do século passado, primeiramente para exterminar os mutantes, mas depois que os mesmos reduziram de população para servir como milícia e mercenários.
Estavam chegando ao centro da cidade, perguntando se alguém tinha visto uma alma que se teletransportasse. Todos negaram ter visto uma alma assim, e já estavam desistiu e pensando em ir a outra vila, mas eis que um mercador dá uma pista.
- Uma alma que teletransporta? Nunca vi uma assim meu jovem, mas se tem uma alma assim por aí, com certeza a família Del Fiore saberá.
- Onde fica a casa deles?
- É uma casa preta no centro da vila, a maior de todas. Tem um símbolo de um dragão metálico. É fácil de encontrar.
Chegando lá, bateram na porta, e esperaram. Após um bom tempo é que foram abrir a porta. Ao entrarem, se depararam com uma sala imensa, com um grande tapete oriental no chão e estátuas cercando os cantos. Foram conduzidos por uma mulher que devia ter dezesseis anos, era loira e vestia um roupão amarelo com estampas de flores, ou pelo menos era o que Lucca achava que era. A menina ficou por detrás de um balcão e perguntou:
- Que tipo de serviço procuram nesta casa?
- Queremos informações.
- Pois perguntem.
- Vocês viram uma alma que se teletransporta por perto?
- Isso eu não sei te responder, terei que chamar alguém que saiba. Esperem só um pouco.
A menina saiu por uma porta e desapareceu em um corredor escuro. Depois de uns cinco minutos ela voltou com dois adolescentes. Um era um menino que devia ter uns dezessete anos, era alto, carregava uma espada maior que ele nas costas e vestia um pijama amarelo e a outra... Era uma menina. Devia ter uns dezesseis anos, tinha cabelos encaracolados da cor de mel, olhos cinza claros, e vestia um vestido vermelho com estampas de flores.
- Então, o que querem? – disse a deusa... quer dizer, a menina.
Lucca ficou hipnotizado por uns trinta segundos, até que Deus, vendo que Lucca não responderia, se manifestou no lugar dele:
- Nós estamos procurando por informação. Será que vocês viram alguma alma que possua o poder de teletransportar pela vizinhança?
- Não. Porém, se procuram por uma alma assim, fariam bem em olhar com os mutantes que ficam perto daqui. Desde que surgiram fantasmas na Terra, eles estão capturando todos os espíritos da região. Eu e meu irmão vamos ao covil dele para terminar de exterminá-los. Se quiserem, podem vir conosco.
- COM TODO O PRAZER! – Gritou Lucca, com a maior cara de palerma que já fez na vida.
- Por que aquela alma não voou? Ela poderia ter desviado dos espinhos, ou voado ao invés de correr pela árvore.
- Almas não podem voar Lucca, só as que são essência de alguma coisa que voe. A única situação que uma alma pode “voar”, é quando ela se desmaterializa para sair de um planeta. Mas aí ela alcançará uma velocidade igual a da luz e não conseguir fazer outro voo além de um em linha reta. Almas não podem flutuar por aí.
- Entendo. Veja, estamos chegando à vila!
A vila de São Pedro era um ótimo lugar para buscar informações. Era uma das maiores vilas da Europa, e uma das mais perigosas também. Por haver um ninho de mutantes remanescentes relativamente perto da vila, surgiram casas e famílias assassinas ao longo do século passado, primeiramente para exterminar os mutantes, mas depois que os mesmos reduziram de população para servir como milícia e mercenários.
Estavam chegando ao centro da cidade, perguntando se alguém tinha visto uma alma que se teletransportasse. Todos negaram ter visto uma alma assim, e já estavam desistiu e pensando em ir a outra vila, mas eis que um mercador dá uma pista.
- Uma alma que teletransporta? Nunca vi uma assim meu jovem, mas se tem uma alma assim por aí, com certeza a família Del Fiore saberá.
- Onde fica a casa deles?
- É uma casa preta no centro da vila, a maior de todas. Tem um símbolo de um dragão metálico. É fácil de encontrar.
Chegando lá, bateram na porta, e esperaram. Após um bom tempo é que foram abrir a porta. Ao entrarem, se depararam com uma sala imensa, com um grande tapete oriental no chão e estátuas cercando os cantos. Foram conduzidos por uma mulher que devia ter dezesseis anos, era loira e vestia um roupão amarelo com estampas de flores, ou pelo menos era o que Lucca achava que era. A menina ficou por detrás de um balcão e perguntou:
- Que tipo de serviço procuram nesta casa?
- Queremos informações.
- Pois perguntem.
- Vocês viram uma alma que se teletransporta por perto?
- Isso eu não sei te responder, terei que chamar alguém que saiba. Esperem só um pouco.
A menina saiu por uma porta e desapareceu em um corredor escuro. Depois de uns cinco minutos ela voltou com dois adolescentes. Um era um menino que devia ter uns dezessete anos, era alto, carregava uma espada maior que ele nas costas e vestia um pijama amarelo e a outra... Era uma menina. Devia ter uns dezesseis anos, tinha cabelos encaracolados da cor de mel, olhos cinza claros, e vestia um vestido vermelho com estampas de flores.
- Então, o que querem? – disse a deusa... quer dizer, a menina.
Lucca ficou hipnotizado por uns trinta segundos, até que Deus, vendo que Lucca não responderia, se manifestou no lugar dele:
- Nós estamos procurando por informação. Será que vocês viram alguma alma que possua o poder de teletransportar pela vizinhança?
- Não. Porém, se procuram por uma alma assim, fariam bem em olhar com os mutantes que ficam perto daqui. Desde que surgiram fantasmas na Terra, eles estão capturando todos os espíritos da região. Eu e meu irmão vamos ao covil dele para terminar de exterminá-los. Se quiserem, podem vir conosco.
- COM TODO O PRAZER! – Gritou Lucca, com a maior cara de palerma que já fez na vida.
Capítulo 8 – Um conhecido no covil
Spoiler
- Será que ela é minha alma gêmea, Deus?
- Acho muito difícil, as chances de se encontrar a alma gêmea são de uma em sete bilhões. Além do mais, a alma gêmea normalmente é aquela que em uma primeira análise seria uma pessoa horrível de se conviver. Porém, se por algum motivo você se encontrar com sua alma gêmea em vida e resolver se relacionar com ela, você terá uma relação estável com certeza. Se você está com essa paixão logo de cara é bem provável que não seja ela.
- Dane-se. Estou oficialmente elevando-a ao cargo de alma gêmea.
Lucca sorria que nem um retardado enquanto caminhava ao lado de Deus. O irmão daquela deusa andava na frente, com ela logo atrás. Na retaguarda iam os dois.
- Ei! Esqueci de te perguntar: qual é o seu nome?
- Me chamo Angela Del Fiore. Aquele é meu irmão, Augusto Del Fiore. Você está seguro conosco. Porém, não seja inconsequente e não ataque os mutantes sozinho.
Estavam chegando ao covil dos mutantes. O covil ficava numa caverna, que ficava na maior montanha da região. Era uma gruta enorme, com vários buracos pelos quais passavam luz, então pode-se dizer que era bem iluminado. Tinham chegado à entrada da caverna, e todos estavam alertas. Angela olhava por todos os lados, procurando por algum mutante escondido em algum canto da caverna, e seu irmão havia desembainhado a espada. Sua espada devia ter pelo menos uns dois metros de comprimento: era enorme.
Parecia muito pesada também. Lucca não sabia como que aquele menino magricela conseguia carregar algo tão pesado. Ao se aprofundarem na caverna, começaram a ouvir um barulho ao longe. Tambores ressoavam pela caverna, e começaram a ver luz de tochas ao longe. Ao chegarem perto, percebeu que os mutantes estavam fazendo algum tipo de ritual. Viu criaturas horríveis: homens com cinco braço musculosos, um homem com pernas grossas enormes, e o líder deles, ou pelo menos parecia ser o líder, tinha a maior estatura de todos, era musculoso, possuía uma enorme cicatriz na cara que cortava desde a boca até o olho direito, e possuía nada de mutante, além de sua estatura.
Foi aí que Lucca notou que o líder possuía rabos. Conseguiu discernir três rabos de macaco peludos e agitados. Lucca então notou que atrás do líder, que segurava uma alma, estava uma gaiola enorme, feita de madeira, onde se encontravam dezenas de almas aprisionadas. Então o que Deus falou sobre almas não serem transparentes e não poderem passar por coisas sólidas era verdade. O líder começou a falar:
- Irmãos! – Grunhidos reverberaram pelo lugar – Temos aqui mais uma alma que conseguimos pegar! Com essa alma, teremos a quantidade suficiente para fazer um sacrifício a Gothrull, o deus da morte!
Então os mutantes estavam reunindo almas para sacrifício. Lucca se estranhou com o fato de que os mutantes conseguiam se comunicar tão bem. Por nunca ter tido contato com um antes, achava que só se comunicavam por grunhidos ou algo do tipo. Foi aí que Lucca viu uma coisa estranha. A alma que o líder estava segurando era muito familiar, familiar até demais...
Era seu tio! Era o tio Samuel! Não pensou duas vezes: correu até os mutantes e gritou a plenos pulmões:
- Tio Samuel! É você! Você está ferido? Eu vou te salvar!
- Seu retardado, você não devia ter ido até lá sozinho! – gritou Angela ao longe.
Estava feito. Os mutantes reagiram: estavam partindo para cima dele. Lucca decidiu que essa seria uma boa hora para testar os poderes da alma que capturou. Ele tinha descoberto que a alma que tinha capturado era a essência da velocidade, mais especificamente a velocidade do vento, e resolveu combinar essa habilidade com seus poderes.
Lucca, juntando o poder da velocidade com o seu, lançou dezenas de estacas afiadas de madeira a plena velocidade. Ele tinha testado isso no caminho antes de chegar a vila de São Pedro, e quando lançava estacas com apenas seu poder elas não possuíam um grande poder de penetração, porque o máximo que conseguia era o equivalente a pegar a estaca e jogar, o que não é muito potente.
Porém, com o poder da velocidade do vento, as estacas penetraram fortemente no corpo duro dos mutantes, apesar de não como esperava. Lucca estava surpreso com a dureza dos corpos dos mutantes. Todos eles estavam tirando as estacas como se estivessem tirando uma farpa de madeira dos dedos. Eles estavam se aproximando, e Lucca pensava em um plano enquanto os mutantes chegavam, e quando o impacto parecia ser iminente, Augusto estava voando no ar, dando uma rasante na direção dos mutantes.
Sua espada decepou a cabeça de um mutante com um único golpe, e sangue jorrou em Lucca. Lucca assistiu, pasmo, ao banho de sangue que se seguiu. Com movimentos rápidos e precisos, Augusto ia matando os mutantes rapidamente, sem muitos problemas. Decepava todos pela cabeça, sempre com economia de movimentos.
E então ele viu: Angela também estava no meio da batalha, lutando com os mutantes. Ela era ainda mais incrível que o irmão: ao invés de cortar com uma espada, ela usava golpes para derrotar os inimigos. Não sabia como, mas ela puxava um mutante enorme pelo braço e o jogava por metros, chocando-o com outros três mutantes. Dava golpes com o braço no pescoço dos mutantes com tanta força que afundava na carne dura dos mutantes, jorrando sangue do pescoço e matando-os instantaneamente.
Só sobrava vivo o líder que segurava Samuel com um braço. Jogou-o longe e partiu para cima da dupla. Augusto pulou para cima dele e preparava-se para cortar o pescoço dele, mas com uma rapidez assustadora o mutante agarrou a espada dele e o jogou longe. A espada, ao colidir com a parede da caverna, ficou presa, deixando Augusto ocupado tentando tirar a espada. Lucca decidiu que não ia deixar Angela lutar com aquele monstro sozinha. Lançou a estaca mais grossa que conseguiu fazer e mirou no pescoço do mutante, mas ele conseguiu pegar a estaca no meio do ar.
Lucca decidiu que estacas não iam funcionar com ele. Angela já estava atacando o mutante, rodopiando com a perna direita esticada, chutando várias vezes o mutante, que cambaleou e caiu no chão. Angela então começou a dar sucessivos golpes com a mão no pescoço do mutante, mas ao invés de sangrar e morrer, o mutante só ficou com um hematoma e grunhiu, jogando Angela longe.
Então Lucca notou que Samuel havia sumido. Procurou por ele, e o achou escondido em uma pedra ao lado dele. Quando ele notou que seu sobrinho o olhava, chamou-o e falou:
- Escute aqui, eu quero que você forme duas estacas e as dê para mim. Não posso ser muito útil, porque não sou forte, mas posso ajudá-los em uma coisa pelo menos.
Lucca obedeceu, e formou duas estacas e as deu para Samuel. Assim que fez isso, Samuel desapareceu numa cortina de fumaça roxa, reaparecendo nas costas do mutante. Rapidamente, seu tio furou os dois olhos do mutante com as estacas, e despareceu novamente. Então seu tio era a alma que precisava para sair do planeta!
Mas isso não era a hora para pensar nisso, porque o mutante já tinha tirado as estacas e parecia estar se orientando muito bem pelo som. Foi aí que Lucca viu uma coisa muito estranha: Angela e Augusto haviam se transformado. Angela se tornou um androide de aço, e estava dando golpes com o triplo da força de antes, e Augusto havia se transformado numa forma híbrida de dragão com humano, e atiçando fogo na espada, se preparava para dar um golpe final.
Angela segurou o mutante para que ele não pudesse fugir, e Augusto ganhando altitude para dar o golpe de misericórdia no mutante. Começou a descer e, quando estava chegando perto, viu que Angela não aguentaria segurar o mutante por muito mais tempo. Querendo ser útil, Lucca criou raízes grossas e as ordenou que segurassem os braços e as pernas do mutante. Com a espada flamejante e com o mutante imobilizado, Augusto cortou-o ao meio, jorrando sangue por todos os lados.
Tendo acabado a luta, libertaram as almas e voltavam para a vila. Lucca estava muito curioso em relação aos poderes dos irmãos Del Fiore.
- Então vocês despertaram o poder das suas almas? Como fizeram isso sem a ajuda de Deus?
- Escute Lucca, vou explicar isso só uma vez. – disse Deus – As almas precisam de um tempo para amadurecer. Por isso, nesse período de amadurecimento, elas ficam “chocando” no corpo, desenvolvendo-se até atingir a fase adulta. Esse é o sentido da vida: crescer espiritualmente para você enfim nascer. Sua vida terrestre pode-se comparar a um ovo que choca um pinto. As almas não se manifestam enquanto estão no corpo, com uma exceção: quando enfrentam uma situação de vida ou morte, elas podem se manifestar para tentar salvar o corpo da morte iminente. Isso já aconteceu com você, não se lembra? Quando você tomou um raio na cabeça e quase morreu, você teve contato com sua alma. Eles dois também devem ter tido contato com uma situação parecida, e despertaram seus poderes.
- Mas eu nunca usei meus poderes antes de você me encontrar.
- Porque nunca tentou. Esses dois vivem em uma família de assassinos. Com certeza devem ter treinado seus poderes.
- Sim, é verdade. Nos tornamos o centro das atenções na nossa família. Nosso símbolo se tornou um dragão metálico por nossa causa.
- Mas que situação aconteceu que despertou seus poderes?
- Bem...
- Acho muito difícil, as chances de se encontrar a alma gêmea são de uma em sete bilhões. Além do mais, a alma gêmea normalmente é aquela que em uma primeira análise seria uma pessoa horrível de se conviver. Porém, se por algum motivo você se encontrar com sua alma gêmea em vida e resolver se relacionar com ela, você terá uma relação estável com certeza. Se você está com essa paixão logo de cara é bem provável que não seja ela.
- Dane-se. Estou oficialmente elevando-a ao cargo de alma gêmea.
Lucca sorria que nem um retardado enquanto caminhava ao lado de Deus. O irmão daquela deusa andava na frente, com ela logo atrás. Na retaguarda iam os dois.
- Ei! Esqueci de te perguntar: qual é o seu nome?
- Me chamo Angela Del Fiore. Aquele é meu irmão, Augusto Del Fiore. Você está seguro conosco. Porém, não seja inconsequente e não ataque os mutantes sozinho.
Estavam chegando ao covil dos mutantes. O covil ficava numa caverna, que ficava na maior montanha da região. Era uma gruta enorme, com vários buracos pelos quais passavam luz, então pode-se dizer que era bem iluminado. Tinham chegado à entrada da caverna, e todos estavam alertas. Angela olhava por todos os lados, procurando por algum mutante escondido em algum canto da caverna, e seu irmão havia desembainhado a espada. Sua espada devia ter pelo menos uns dois metros de comprimento: era enorme.
Parecia muito pesada também. Lucca não sabia como que aquele menino magricela conseguia carregar algo tão pesado. Ao se aprofundarem na caverna, começaram a ouvir um barulho ao longe. Tambores ressoavam pela caverna, e começaram a ver luz de tochas ao longe. Ao chegarem perto, percebeu que os mutantes estavam fazendo algum tipo de ritual. Viu criaturas horríveis: homens com cinco braço musculosos, um homem com pernas grossas enormes, e o líder deles, ou pelo menos parecia ser o líder, tinha a maior estatura de todos, era musculoso, possuía uma enorme cicatriz na cara que cortava desde a boca até o olho direito, e possuía nada de mutante, além de sua estatura.
Foi aí que Lucca notou que o líder possuía rabos. Conseguiu discernir três rabos de macaco peludos e agitados. Lucca então notou que atrás do líder, que segurava uma alma, estava uma gaiola enorme, feita de madeira, onde se encontravam dezenas de almas aprisionadas. Então o que Deus falou sobre almas não serem transparentes e não poderem passar por coisas sólidas era verdade. O líder começou a falar:
- Irmãos! – Grunhidos reverberaram pelo lugar – Temos aqui mais uma alma que conseguimos pegar! Com essa alma, teremos a quantidade suficiente para fazer um sacrifício a Gothrull, o deus da morte!
Então os mutantes estavam reunindo almas para sacrifício. Lucca se estranhou com o fato de que os mutantes conseguiam se comunicar tão bem. Por nunca ter tido contato com um antes, achava que só se comunicavam por grunhidos ou algo do tipo. Foi aí que Lucca viu uma coisa estranha. A alma que o líder estava segurando era muito familiar, familiar até demais...
Era seu tio! Era o tio Samuel! Não pensou duas vezes: correu até os mutantes e gritou a plenos pulmões:
- Tio Samuel! É você! Você está ferido? Eu vou te salvar!
- Seu retardado, você não devia ter ido até lá sozinho! – gritou Angela ao longe.
Estava feito. Os mutantes reagiram: estavam partindo para cima dele. Lucca decidiu que essa seria uma boa hora para testar os poderes da alma que capturou. Ele tinha descoberto que a alma que tinha capturado era a essência da velocidade, mais especificamente a velocidade do vento, e resolveu combinar essa habilidade com seus poderes.
Lucca, juntando o poder da velocidade com o seu, lançou dezenas de estacas afiadas de madeira a plena velocidade. Ele tinha testado isso no caminho antes de chegar a vila de São Pedro, e quando lançava estacas com apenas seu poder elas não possuíam um grande poder de penetração, porque o máximo que conseguia era o equivalente a pegar a estaca e jogar, o que não é muito potente.
Porém, com o poder da velocidade do vento, as estacas penetraram fortemente no corpo duro dos mutantes, apesar de não como esperava. Lucca estava surpreso com a dureza dos corpos dos mutantes. Todos eles estavam tirando as estacas como se estivessem tirando uma farpa de madeira dos dedos. Eles estavam se aproximando, e Lucca pensava em um plano enquanto os mutantes chegavam, e quando o impacto parecia ser iminente, Augusto estava voando no ar, dando uma rasante na direção dos mutantes.
Sua espada decepou a cabeça de um mutante com um único golpe, e sangue jorrou em Lucca. Lucca assistiu, pasmo, ao banho de sangue que se seguiu. Com movimentos rápidos e precisos, Augusto ia matando os mutantes rapidamente, sem muitos problemas. Decepava todos pela cabeça, sempre com economia de movimentos.
E então ele viu: Angela também estava no meio da batalha, lutando com os mutantes. Ela era ainda mais incrível que o irmão: ao invés de cortar com uma espada, ela usava golpes para derrotar os inimigos. Não sabia como, mas ela puxava um mutante enorme pelo braço e o jogava por metros, chocando-o com outros três mutantes. Dava golpes com o braço no pescoço dos mutantes com tanta força que afundava na carne dura dos mutantes, jorrando sangue do pescoço e matando-os instantaneamente.
Só sobrava vivo o líder que segurava Samuel com um braço. Jogou-o longe e partiu para cima da dupla. Augusto pulou para cima dele e preparava-se para cortar o pescoço dele, mas com uma rapidez assustadora o mutante agarrou a espada dele e o jogou longe. A espada, ao colidir com a parede da caverna, ficou presa, deixando Augusto ocupado tentando tirar a espada. Lucca decidiu que não ia deixar Angela lutar com aquele monstro sozinha. Lançou a estaca mais grossa que conseguiu fazer e mirou no pescoço do mutante, mas ele conseguiu pegar a estaca no meio do ar.
Lucca decidiu que estacas não iam funcionar com ele. Angela já estava atacando o mutante, rodopiando com a perna direita esticada, chutando várias vezes o mutante, que cambaleou e caiu no chão. Angela então começou a dar sucessivos golpes com a mão no pescoço do mutante, mas ao invés de sangrar e morrer, o mutante só ficou com um hematoma e grunhiu, jogando Angela longe.
Então Lucca notou que Samuel havia sumido. Procurou por ele, e o achou escondido em uma pedra ao lado dele. Quando ele notou que seu sobrinho o olhava, chamou-o e falou:
- Escute aqui, eu quero que você forme duas estacas e as dê para mim. Não posso ser muito útil, porque não sou forte, mas posso ajudá-los em uma coisa pelo menos.
Lucca obedeceu, e formou duas estacas e as deu para Samuel. Assim que fez isso, Samuel desapareceu numa cortina de fumaça roxa, reaparecendo nas costas do mutante. Rapidamente, seu tio furou os dois olhos do mutante com as estacas, e despareceu novamente. Então seu tio era a alma que precisava para sair do planeta!
Mas isso não era a hora para pensar nisso, porque o mutante já tinha tirado as estacas e parecia estar se orientando muito bem pelo som. Foi aí que Lucca viu uma coisa muito estranha: Angela e Augusto haviam se transformado. Angela se tornou um androide de aço, e estava dando golpes com o triplo da força de antes, e Augusto havia se transformado numa forma híbrida de dragão com humano, e atiçando fogo na espada, se preparava para dar um golpe final.
Angela segurou o mutante para que ele não pudesse fugir, e Augusto ganhando altitude para dar o golpe de misericórdia no mutante. Começou a descer e, quando estava chegando perto, viu que Angela não aguentaria segurar o mutante por muito mais tempo. Querendo ser útil, Lucca criou raízes grossas e as ordenou que segurassem os braços e as pernas do mutante. Com a espada flamejante e com o mutante imobilizado, Augusto cortou-o ao meio, jorrando sangue por todos os lados.
Tendo acabado a luta, libertaram as almas e voltavam para a vila. Lucca estava muito curioso em relação aos poderes dos irmãos Del Fiore.
- Então vocês despertaram o poder das suas almas? Como fizeram isso sem a ajuda de Deus?
- Escute Lucca, vou explicar isso só uma vez. – disse Deus – As almas precisam de um tempo para amadurecer. Por isso, nesse período de amadurecimento, elas ficam “chocando” no corpo, desenvolvendo-se até atingir a fase adulta. Esse é o sentido da vida: crescer espiritualmente para você enfim nascer. Sua vida terrestre pode-se comparar a um ovo que choca um pinto. As almas não se manifestam enquanto estão no corpo, com uma exceção: quando enfrentam uma situação de vida ou morte, elas podem se manifestar para tentar salvar o corpo da morte iminente. Isso já aconteceu com você, não se lembra? Quando você tomou um raio na cabeça e quase morreu, você teve contato com sua alma. Eles dois também devem ter tido contato com uma situação parecida, e despertaram seus poderes.
- Mas eu nunca usei meus poderes antes de você me encontrar.
- Porque nunca tentou. Esses dois vivem em uma família de assassinos. Com certeza devem ter treinado seus poderes.
- Sim, é verdade. Nos tornamos o centro das atenções na nossa família. Nosso símbolo se tornou um dragão metálico por nossa causa.
- Mas que situação aconteceu que despertou seus poderes?
- Bem...
Capítulo 9 - A Coleção
Spoiler
- Olha só que bonita, Augusto! É uma menina! Não é uma gracinha?
A parteira olhava para Augusto, então com cinco anos de idade, segurando o bebê, recém-nascido. Berrava de tanto chorar, e aquilo já estava começando a incomodá-lo.
- Quando ela vai parar de chorar?
- Ela ainda vai ficar assim por um tempo. Vamos, segure ela um pouco.
Augusto pegou o bebê dos braços da parteira, a contra gosto. O lenço que o cobria ainda estava ensanguentado, e as mãos de Augusto estavam ficando empapados.
- E qual vai ser o nome dela?
A mãe dele, quieta até o presente momento, se manifestou:
- Vou deixar essa responsabilidade para você, Augusto. Escolha o nome dela.
Augusto olhou bem para sua irmã, tentando pensar em algum nome apropriado. Ela era chorona, e só tinha incomodado ele, devia dar um nome de demônio... Mas então ele notou que ela não mais chorava. E olhava para ele com seus olhos cinza claros, que pareciam brilhar como diamantes. Naquele momento ele decidiu. Ela não era um demônio, era um anjo.
- Angela. Ela vai se chamar Angela Del Fiore.
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- Escutem bem. Vocês treinarão aqui. Augusto, você vai ajudar sua irmã, é a primeira vez dela.
Estavam em um pátio enorme, com padrões circulares no piso, e ao redor do pátio havia uma floresta, ou Jardim Silencioso, como sua família a chamava. Angela tinha apenas três anos, e desde que sua irmã aprendeu a andar ela já treinava para ganhar força, assim como ele. Hoje ela começaria a treinar com armas, e Augusto teria de ser o tutor dela por ora. Estava perdendo a paciência com sua irmã. Possuía a força para empunhar a arma, mas ela era completamente desajeitada. E aquela era só uma espada de quarenta quilos!
Augusto tinha sete anos, mas já conseguia manejar com relativa destreza uma espada de cento e cinquenta quilos. Angela estava fazendo com uma de quarenta o que ele faria com uma de trezentos quilos. Ele ainda estava treinando para ter força para usá-la. Apesar da relativa genialidade dele, havia muitos que eram melhores na família. A família Del Fiore era conhecida por sua sobrenatural força, aliada a surpreendentes velocidades. Seu avô, por exemplo, Alberto Del Fiore, com apenas três anos, a idade de Angela, já conseguia usar espadas que Augusto estava usando. Atualmente usa uma espada que pesa oito toneladas, arma que Augusto não conseguia nem arrastar. E ali estava a incompetente da sua irmã, se embolando com a mais simples das espadas.
- Não é assim que se empunha a espada. Segure no cabo dela com as duas mãos, assim. Não, você está invertendo a posição. Gire a espada usando sua cintura como ponto de apoio, assim. Não, você está fazendo tudo errado, sua grande imbecil.
Estava feito. Angela chorava, aos berros, parecia que ia deixa-lo surdo. Estava controlando a ira, mas se isso continuasse ele iria voar nela. Quando ia fazer isso, seu tutor o interrompeu, aplicando uma chave de braço. Augusto estava aos gritos, seu tutor iria quebrar seu braço se continuasse assim.
- Você pensou no que ia fazer, moleque? Ela é sua irmã, e você o seu tutor. Dane-se se ela não aprende rápido, ou se não tem paciência para ensina-la. Nas lutas, você tem que ter sangue frio e nervos de aço para não cair na provocação do inimigo e não se exaltar. Não é desse jeito que você vai ganhar uma guerra. Nossa família não admite agressão entre parentes, a não ser que estejam duelando entre si. Que isso não se repita, ou da próxima vez eu realmente irei quebrar seu braço, entendeu?
A esta altura, Augusto estava visivelmente irritado. Tratou de ir até um canto para treinar sozinho. Pegou um alvo de palha e começou a praticar. Imaginava que o alvo era seu tutor, depois Angela, todos os que o irritavam. Ele golpeava com força, e acabou quebrando o boneco, mesmo com todo o revestimento de chumbo que havia dentro. Passada a raiva, voltou para dentro de casa. Horas se passavam, e já estava de noite. Ele se aprontou para o seu treino noturno, pegou suas coisas e foi. Movia-se sorrateiramente, porque ninguém podia saber que estava treinando até de madrugada. Quando estava no pátio de novo, já estava arrumando os alvos, quando ouviu uma voz logo atrás dele.
- Ei, você vai treinar aqui? Eu também quero!
Augusto conteve um grito de susto. Se sua irmã não possuía um pingo de talento para empunhar espadas, em compensação era extremamente hábil em ser sorrateira e andar sem que ninguém percebesse. Como ela conseguiu chegar sem que ele notasse? Resolveu deixar que ela treinasse também, mas não deixou que usasse a espada. Ela faria muito barulho com uma, e seriam descobertos em pouquíssimo tempo. Ela começou a praticar artes marciais com os bonecos, o que estranhou a Augusto. Aqueles alvos eram revestidos com chumbo, e mesmo assim estava socando e batendo neles sem nem reclamar ou chorar. Ela parecia bem determinada, e ele notou que seus olhos cinza brilhavam como no dia em que nasceu. Talvez ela estivesse tentando se retratar pelo terrível treinamento de manhã.
Ela golpeava em todos os pontos vitais do boneco humanoide, e depois de vários golpes insistentes ela conseguiu partir o boneco. E com apenas suas
mão e pés, desarmada. Ele estava impressionado por sua destreza. Só havia uma coisa a fazer. No dia seguinte, Augusto recomendou sua irmã para a seção de artes marciais.
- Mas o que te levou a concluir que ela deve treinar artes marciais antes da arte das espadas?
- Ela não leva jeito com elas. Em compensação, tenho certeza de que você irá se surpreender com a habilidade dela ao lutar desarmada.
Seu tutor levou sua irmã, e começou a testa-la. Ela se saiu muito bem, e quase venceu o homem.
- Estou impressionado! Tem razão, Augusto! Sua irmã deve ir pelo lado das artes marciais. Ela começará seu treino amanhã.
E assim alguns meses se passaram, e os dois continuaram treinando de noite. Ao avançarem em seus treinos, passaram a conhecer mais sobre os negócios da família.
- Escute bem, Augusto e Angela. Nós, da família Del Fiore, primamos pela competência em nossas missões. Com essa competência naturalmente vieram inimigos. Um dos nossos maiores inimigos é a família Bruzzini. Eles são mercenários incompetentes que invejam nossa fama e habilidade, então tome cuidado com eles. Eles costumam a se vestir discretamente, com roupas pretas, fazem mais o estilo de assassinos ninjas.
Augusto estava pensando sobre o que falaram com ele. Lembrava-se de ter visto gente assim ao acompanhar as missões dos mais velhos. Gente de preto sempre tentava atacar os da família Del Fiore em quase todas as missões que ia. Mas eles nunca foram páreo para a família dele. Resolveu treinar. Ficou assim por horas. Quando já era de noite, Angela se juntou a ele. Estavam praticando com os alvos, como de costume, mas alguma coisa chamou a atenção de Augusto. Ele pensou ter ouvido um barulho vindo do Jardim Silencioso. Ora, não existe ser vivo que possa fazer barulho lá, por isso era chamado assim. A única coisa que fazia barulho era o vento que soprava nos galhos das árvores, fazendo-as farfalhar. Mas não havia nenhum vento naquela noite.
Decidiu checar a floresta. Começou a avançar pelas árvores, mas não encontrava nada. Olhava para as copas das árvores, procurava por entre as grandes raízes, remexia arbustos, mas nada encontrava. Foi neste momento que ele ouviu um grito agudo vindo do pátio. Alguém deve ter descoberto Angela enquanto ele estava procurando por um invasor inexistente. Decidiu que ele assumiria a culpa por estar treinando sem permissão. Já estava saindo pelos arbustos quando viu que não era ninguém de sua família que estava lá. Três homens vestidos discretamente de preto lutavam com sua irmã, e parecia que ela estava perdendo.
Ela chutava um, socava outro, batia com a lateral da mão na barriga de um, mas ela era jovem demais e estava menor em número. Quando atacava um, outro a atingia pelas costas com uma adaga. Angela parecia ser feita de ferro, porque mesmo sendo perfurada pelas adagas, conseguia continuar lutando e até mesmo usar as adagas contra seus inimigos. Mas ele não iria deixar que ela lutasse sozinha. Saiu da floresta e tentou decapita-los, como lhe ensinaram, mas por um erro de cálculo ele decepou uma perna de um homem apenas. O homem berrou e com uma velocidade impressionante perfurou a lateral de seu tórax, logo abaixo das costelas. A dor veio instantaneamente, e ele tentava conter urros de dor.
Ele não tinha tempo para isso, pois seu atacante de uma perna só já estava atacando, enquanto os outros dois lutavam com uma ensanguentada Angela. Naquele ritmo ela iria morrer de hemorragia, sabe-se lá quanto de sangue ela já havia perdido. Um litro pelo menos, Augusto achava, pois uma poça de sangue já se formava ao redor dela. Tomado de fúria, Augusto rodou a espada de cento e cinquenta quilos acima da cabeça, fatiando seu oponente. Não parando para pensar, voou nos oponentes de sua irmã, e decepou a cabeça de um, e perfurou o outro no peito. Estava ganha a luta. Angela, não aguentando mais a perda de sangue, desmaiou, caindo no chão.
A ferida no tórax estava latejando de dor, e sangrava muito. Ele começou a ficar tonto, e parecia que ia desmaiar, mas pelo menos a batalha acabou. Ou pelo menos foi o que ele pensou. Começaram a sair do Jardim do Silêncio, aos montes. Um, cinco, dez, quinze, vinte, inúmeros inimigos chegavam, cada vez mais gente vestida discretamente de preto. Quando viram seus companheiros mortos e ele e sua irmã no chão, partiram para cima deles. Ele não possuía forças para revidar ou resistir, só podia rezar que todo aquele barulho que eles fariam acordasse alguém de sua família.
Primeiro foi um, depois três, depois cada parte do seu corpo começou a ser chutada e pisada. Um pulou em cima dele, outro atirou a adaga, que perfurou sua perna direita. Ouvia sons de chutes perto dele, o que ele deduziu que estavam chutando sua irmã, que nem sequer devia estar consciente. A dor vinha como ondas, com tanta força que ele nem mesmo tinha forças para gritar de dor. Ele estava quase implorando para morrer, quando por fim tudo ficou escuro.
O barulho parou. Ele não ouvia mais nada. Parecia que ele estava dentro de um quarto escuro, ou algo assim. Será que de alguma forma ele sobreviveu e foi raptado pela família Bruzzini? Então uma luz apareceu, iluminando uma pessoa. Não era muito alto, na verdade era bem baixinho, devia ter uns sete anos. Então ele foi raptado por uma criança ou o que? Resolveu perguntar para seu raptor:
- Onde eu estou?
- Onde você acha que está?
- Como eu vou saber, acabo de acordar.
- Errado. Você acaba de dormir. E se não fizer nada a respeito, dormirá para sempre.
- Do que você está falando?
- Você está inconsciente, e está sendo espancado até a morte pelos inimigos de sua família. Nesse ritmo você estará morto logo, logo.
- E quem seria você? A minha consciência?
- De certa forma, sim. Eu não quero que você morra, então vou te dar uma ajudazinha.
O menino, que agora que Augusto notou melhor, era um clone seu, correu em sua direção e o esmurrou na cara. Ele voou longe e bateu contra uma parede escura.
- O que você está fazendo?
- Te dando poder.
À medida que seu clone ia espancando-o, uma crescente ira crescia dentro dele. Aos poucos sentia que alguma coisa ia mudando nele. Então, ele revidou seu clone com um murro que o mandou metros longe. Sentiu uma força cada vez maior dentro de si, e então já estava esmurrando loucamente sua consciência. Quando parou, notou que estava diferente não só por dentro, mas também por fora. Suas mãos possuíam garras. Ele tinha um rabo e duas asas de morcego. Sentiu uma vontade incontrolável de rugir para o seu clone, e quando o fez fogo saiu de sua boca, sem que ele se machucasse.
- Mas o que...?
- Dragão, meu amigo. Você é um dragão. Liberte-se! Voe!
Ele obedeceu. Começou a voar para o alto, e quando deu por si mesmo ele não estava mais inconsciente. Voava pelo céu e podia ver toda a propriedade de sua família. E então viu que os inimigos olhavam para ele. Foi aí que se lembrou de sua irmã: ele devia salvá-la custe o que custar. Deu uma rasante, decepando uma leva de cabeças com a espada, que naquele momento parecia ser feita de papel, de tão leve que lhe parecia. Percebeu então que mais alguém lutava com os homens de preto. Uma menina, com a pele metálica e olhos robóticos cinza claros, que verdadeiramente pareciam diamantes... Era sua irmã! Ela havia se transformado também!
Ela decepava a cabeça dos inimigos usando a lateral das mãos para acertar o pescoço deles, com um golpe tão potente que fazia as cabeças deles voarem uns dois metros para o alto. Eles não tiveram chance. No fim da batalha, trezentas cabeças jaziam no chão, e o campo de batalha estava acabado. Sua família inteira acordou e pasmou com a cena. Mas não eram todos da família que estavam ali, só os que não tinham forças e trabalhavam como serviçais.
- Oh, então os Bruzzini mandaram espiões para depredar nossa casa enquanto estávamos em guerra! E quem são vocês?
- Augusto Del Fiore. – disse Augusto com uma voz um tanto quanto grossa.
- Angela Del Fiore. – disse sua irmã com uma voz meio metálica.
- Mas vocês estão tão... Diferentes! O que aconteceu com vocês?
- Não sei, acho que despertamos um poder interior, não sei explicar.
Começaram a conversar e Augusto e sua irmã descobriram que a família inteira estava guerreando com a família Bruzzini, por algum desentendimento. Ele e sua irmã foram deixados com os serviçais por serem jovens demais para uma guerra. No entanto, os Bruzzini mandaram espiões para destruir a casa enquanto estavam fora. Só não contaram que os dois seriam tão letais.
- Eu vou ajuda-los. – manifestou-se Augusto.
- Eu também! – disse Angela.
- Não podem, vocês são jovens demais!
- Mas você viu o que a gente fez! Nós demos conta facilmente de trezentos inimigos!
- Tem razão. Mas não serão apenas trezentas pessoas naquele campo de batalha. Vai haver pelo menos umas trinta mil pessoas. Pode não parecer, mas a família Del Fiore é a que menos tem gente. Porém, nós compensamos com qualidade o que perdemos em quantidade. Vocês estão muito verdes ainda, tem de amadurecer mais para ir lá.
- Pois então tente nos impedir!
Augusto deixou que a ira tomasse conta de seu corpo e então se transformou na forma híbrida de dragão com humano outra vez, e saiu voando pelo céu afora. Sua irmã fez o mesmo, e com o dobro de sua velocidade normal, pulou uns quinze metros, atravessando o muro e seguindo seu irmão de perto.
Ele viu onde o campo de batalha estava e seguiu para lá. Quando chegou, logo viu que sua família estava cercada de milhares de homens e mulheres vestidos de preto. Deu uma rasante, cuspindo fogo ao redor dos de sua família, atacando os Bruzzini. Ganhou altitude e descendo rapidamente, empunhando a espada com a qual tacou fogo, decepou a cabeça de fileiras inteiras de homens.
Sua irmã chegou ao campo de batalha, e já estava abrindo caminho pela infantaria dos Bruzzini girando como um tornado, decepando a cabeça de quem
passava pelo seu caminho. Com sua ajuda, os Del Fiore rapidamente ganharam a batalha, e os Bruzzini foram dizimados. Voltando para casa, todos queriam saber como conseguiram aquele poder. Explicaram a situação, e logo eram o centro das atenções da família.
- Parabéns! É incrível como da noite para o dia vocês dois conseguiram aumentar tanto sua coleção. Aliás, pelo que vemos aqui vocês não tinham nenhuma cabeça na sua coleção de cabeças de inimigos derrotados. Augusto, de nenhuma cabeça você foi a mil e quinhentas cabeças. Angela, de zero você chegou a mil quatrocentos e cinquenta cabeças. Nossa, vocês serão lendas em nossa família, ninguém nunca conseguiu isso de uma vez, e muito menos com essa idade.
Augusto deu um tapinha nos ombros de Angela, sussurrando todo radiante:
- Acho que conseguirei usar uma espada mais pesada daqui em diante!
A parteira olhava para Augusto, então com cinco anos de idade, segurando o bebê, recém-nascido. Berrava de tanto chorar, e aquilo já estava começando a incomodá-lo.
- Quando ela vai parar de chorar?
- Ela ainda vai ficar assim por um tempo. Vamos, segure ela um pouco.
Augusto pegou o bebê dos braços da parteira, a contra gosto. O lenço que o cobria ainda estava ensanguentado, e as mãos de Augusto estavam ficando empapados.
- E qual vai ser o nome dela?
A mãe dele, quieta até o presente momento, se manifestou:
- Vou deixar essa responsabilidade para você, Augusto. Escolha o nome dela.
Augusto olhou bem para sua irmã, tentando pensar em algum nome apropriado. Ela era chorona, e só tinha incomodado ele, devia dar um nome de demônio... Mas então ele notou que ela não mais chorava. E olhava para ele com seus olhos cinza claros, que pareciam brilhar como diamantes. Naquele momento ele decidiu. Ela não era um demônio, era um anjo.
- Angela. Ela vai se chamar Angela Del Fiore.
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- Escutem bem. Vocês treinarão aqui. Augusto, você vai ajudar sua irmã, é a primeira vez dela.
Estavam em um pátio enorme, com padrões circulares no piso, e ao redor do pátio havia uma floresta, ou Jardim Silencioso, como sua família a chamava. Angela tinha apenas três anos, e desde que sua irmã aprendeu a andar ela já treinava para ganhar força, assim como ele. Hoje ela começaria a treinar com armas, e Augusto teria de ser o tutor dela por ora. Estava perdendo a paciência com sua irmã. Possuía a força para empunhar a arma, mas ela era completamente desajeitada. E aquela era só uma espada de quarenta quilos!
Augusto tinha sete anos, mas já conseguia manejar com relativa destreza uma espada de cento e cinquenta quilos. Angela estava fazendo com uma de quarenta o que ele faria com uma de trezentos quilos. Ele ainda estava treinando para ter força para usá-la. Apesar da relativa genialidade dele, havia muitos que eram melhores na família. A família Del Fiore era conhecida por sua sobrenatural força, aliada a surpreendentes velocidades. Seu avô, por exemplo, Alberto Del Fiore, com apenas três anos, a idade de Angela, já conseguia usar espadas que Augusto estava usando. Atualmente usa uma espada que pesa oito toneladas, arma que Augusto não conseguia nem arrastar. E ali estava a incompetente da sua irmã, se embolando com a mais simples das espadas.
- Não é assim que se empunha a espada. Segure no cabo dela com as duas mãos, assim. Não, você está invertendo a posição. Gire a espada usando sua cintura como ponto de apoio, assim. Não, você está fazendo tudo errado, sua grande imbecil.
Estava feito. Angela chorava, aos berros, parecia que ia deixa-lo surdo. Estava controlando a ira, mas se isso continuasse ele iria voar nela. Quando ia fazer isso, seu tutor o interrompeu, aplicando uma chave de braço. Augusto estava aos gritos, seu tutor iria quebrar seu braço se continuasse assim.
- Você pensou no que ia fazer, moleque? Ela é sua irmã, e você o seu tutor. Dane-se se ela não aprende rápido, ou se não tem paciência para ensina-la. Nas lutas, você tem que ter sangue frio e nervos de aço para não cair na provocação do inimigo e não se exaltar. Não é desse jeito que você vai ganhar uma guerra. Nossa família não admite agressão entre parentes, a não ser que estejam duelando entre si. Que isso não se repita, ou da próxima vez eu realmente irei quebrar seu braço, entendeu?
A esta altura, Augusto estava visivelmente irritado. Tratou de ir até um canto para treinar sozinho. Pegou um alvo de palha e começou a praticar. Imaginava que o alvo era seu tutor, depois Angela, todos os que o irritavam. Ele golpeava com força, e acabou quebrando o boneco, mesmo com todo o revestimento de chumbo que havia dentro. Passada a raiva, voltou para dentro de casa. Horas se passavam, e já estava de noite. Ele se aprontou para o seu treino noturno, pegou suas coisas e foi. Movia-se sorrateiramente, porque ninguém podia saber que estava treinando até de madrugada. Quando estava no pátio de novo, já estava arrumando os alvos, quando ouviu uma voz logo atrás dele.
- Ei, você vai treinar aqui? Eu também quero!
Augusto conteve um grito de susto. Se sua irmã não possuía um pingo de talento para empunhar espadas, em compensação era extremamente hábil em ser sorrateira e andar sem que ninguém percebesse. Como ela conseguiu chegar sem que ele notasse? Resolveu deixar que ela treinasse também, mas não deixou que usasse a espada. Ela faria muito barulho com uma, e seriam descobertos em pouquíssimo tempo. Ela começou a praticar artes marciais com os bonecos, o que estranhou a Augusto. Aqueles alvos eram revestidos com chumbo, e mesmo assim estava socando e batendo neles sem nem reclamar ou chorar. Ela parecia bem determinada, e ele notou que seus olhos cinza brilhavam como no dia em que nasceu. Talvez ela estivesse tentando se retratar pelo terrível treinamento de manhã.
Ela golpeava em todos os pontos vitais do boneco humanoide, e depois de vários golpes insistentes ela conseguiu partir o boneco. E com apenas suas
mão e pés, desarmada. Ele estava impressionado por sua destreza. Só havia uma coisa a fazer. No dia seguinte, Augusto recomendou sua irmã para a seção de artes marciais.
- Mas o que te levou a concluir que ela deve treinar artes marciais antes da arte das espadas?
- Ela não leva jeito com elas. Em compensação, tenho certeza de que você irá se surpreender com a habilidade dela ao lutar desarmada.
Seu tutor levou sua irmã, e começou a testa-la. Ela se saiu muito bem, e quase venceu o homem.
- Estou impressionado! Tem razão, Augusto! Sua irmã deve ir pelo lado das artes marciais. Ela começará seu treino amanhã.
E assim alguns meses se passaram, e os dois continuaram treinando de noite. Ao avançarem em seus treinos, passaram a conhecer mais sobre os negócios da família.
- Escute bem, Augusto e Angela. Nós, da família Del Fiore, primamos pela competência em nossas missões. Com essa competência naturalmente vieram inimigos. Um dos nossos maiores inimigos é a família Bruzzini. Eles são mercenários incompetentes que invejam nossa fama e habilidade, então tome cuidado com eles. Eles costumam a se vestir discretamente, com roupas pretas, fazem mais o estilo de assassinos ninjas.
Augusto estava pensando sobre o que falaram com ele. Lembrava-se de ter visto gente assim ao acompanhar as missões dos mais velhos. Gente de preto sempre tentava atacar os da família Del Fiore em quase todas as missões que ia. Mas eles nunca foram páreo para a família dele. Resolveu treinar. Ficou assim por horas. Quando já era de noite, Angela se juntou a ele. Estavam praticando com os alvos, como de costume, mas alguma coisa chamou a atenção de Augusto. Ele pensou ter ouvido um barulho vindo do Jardim Silencioso. Ora, não existe ser vivo que possa fazer barulho lá, por isso era chamado assim. A única coisa que fazia barulho era o vento que soprava nos galhos das árvores, fazendo-as farfalhar. Mas não havia nenhum vento naquela noite.
Decidiu checar a floresta. Começou a avançar pelas árvores, mas não encontrava nada. Olhava para as copas das árvores, procurava por entre as grandes raízes, remexia arbustos, mas nada encontrava. Foi neste momento que ele ouviu um grito agudo vindo do pátio. Alguém deve ter descoberto Angela enquanto ele estava procurando por um invasor inexistente. Decidiu que ele assumiria a culpa por estar treinando sem permissão. Já estava saindo pelos arbustos quando viu que não era ninguém de sua família que estava lá. Três homens vestidos discretamente de preto lutavam com sua irmã, e parecia que ela estava perdendo.
Ela chutava um, socava outro, batia com a lateral da mão na barriga de um, mas ela era jovem demais e estava menor em número. Quando atacava um, outro a atingia pelas costas com uma adaga. Angela parecia ser feita de ferro, porque mesmo sendo perfurada pelas adagas, conseguia continuar lutando e até mesmo usar as adagas contra seus inimigos. Mas ele não iria deixar que ela lutasse sozinha. Saiu da floresta e tentou decapita-los, como lhe ensinaram, mas por um erro de cálculo ele decepou uma perna de um homem apenas. O homem berrou e com uma velocidade impressionante perfurou a lateral de seu tórax, logo abaixo das costelas. A dor veio instantaneamente, e ele tentava conter urros de dor.
Ele não tinha tempo para isso, pois seu atacante de uma perna só já estava atacando, enquanto os outros dois lutavam com uma ensanguentada Angela. Naquele ritmo ela iria morrer de hemorragia, sabe-se lá quanto de sangue ela já havia perdido. Um litro pelo menos, Augusto achava, pois uma poça de sangue já se formava ao redor dela. Tomado de fúria, Augusto rodou a espada de cento e cinquenta quilos acima da cabeça, fatiando seu oponente. Não parando para pensar, voou nos oponentes de sua irmã, e decepou a cabeça de um, e perfurou o outro no peito. Estava ganha a luta. Angela, não aguentando mais a perda de sangue, desmaiou, caindo no chão.
A ferida no tórax estava latejando de dor, e sangrava muito. Ele começou a ficar tonto, e parecia que ia desmaiar, mas pelo menos a batalha acabou. Ou pelo menos foi o que ele pensou. Começaram a sair do Jardim do Silêncio, aos montes. Um, cinco, dez, quinze, vinte, inúmeros inimigos chegavam, cada vez mais gente vestida discretamente de preto. Quando viram seus companheiros mortos e ele e sua irmã no chão, partiram para cima deles. Ele não possuía forças para revidar ou resistir, só podia rezar que todo aquele barulho que eles fariam acordasse alguém de sua família.
Primeiro foi um, depois três, depois cada parte do seu corpo começou a ser chutada e pisada. Um pulou em cima dele, outro atirou a adaga, que perfurou sua perna direita. Ouvia sons de chutes perto dele, o que ele deduziu que estavam chutando sua irmã, que nem sequer devia estar consciente. A dor vinha como ondas, com tanta força que ele nem mesmo tinha forças para gritar de dor. Ele estava quase implorando para morrer, quando por fim tudo ficou escuro.
O barulho parou. Ele não ouvia mais nada. Parecia que ele estava dentro de um quarto escuro, ou algo assim. Será que de alguma forma ele sobreviveu e foi raptado pela família Bruzzini? Então uma luz apareceu, iluminando uma pessoa. Não era muito alto, na verdade era bem baixinho, devia ter uns sete anos. Então ele foi raptado por uma criança ou o que? Resolveu perguntar para seu raptor:
- Onde eu estou?
- Onde você acha que está?
- Como eu vou saber, acabo de acordar.
- Errado. Você acaba de dormir. E se não fizer nada a respeito, dormirá para sempre.
- Do que você está falando?
- Você está inconsciente, e está sendo espancado até a morte pelos inimigos de sua família. Nesse ritmo você estará morto logo, logo.
- E quem seria você? A minha consciência?
- De certa forma, sim. Eu não quero que você morra, então vou te dar uma ajudazinha.
O menino, que agora que Augusto notou melhor, era um clone seu, correu em sua direção e o esmurrou na cara. Ele voou longe e bateu contra uma parede escura.
- O que você está fazendo?
- Te dando poder.
À medida que seu clone ia espancando-o, uma crescente ira crescia dentro dele. Aos poucos sentia que alguma coisa ia mudando nele. Então, ele revidou seu clone com um murro que o mandou metros longe. Sentiu uma força cada vez maior dentro de si, e então já estava esmurrando loucamente sua consciência. Quando parou, notou que estava diferente não só por dentro, mas também por fora. Suas mãos possuíam garras. Ele tinha um rabo e duas asas de morcego. Sentiu uma vontade incontrolável de rugir para o seu clone, e quando o fez fogo saiu de sua boca, sem que ele se machucasse.
- Mas o que...?
- Dragão, meu amigo. Você é um dragão. Liberte-se! Voe!
Ele obedeceu. Começou a voar para o alto, e quando deu por si mesmo ele não estava mais inconsciente. Voava pelo céu e podia ver toda a propriedade de sua família. E então viu que os inimigos olhavam para ele. Foi aí que se lembrou de sua irmã: ele devia salvá-la custe o que custar. Deu uma rasante, decepando uma leva de cabeças com a espada, que naquele momento parecia ser feita de papel, de tão leve que lhe parecia. Percebeu então que mais alguém lutava com os homens de preto. Uma menina, com a pele metálica e olhos robóticos cinza claros, que verdadeiramente pareciam diamantes... Era sua irmã! Ela havia se transformado também!
Ela decepava a cabeça dos inimigos usando a lateral das mãos para acertar o pescoço deles, com um golpe tão potente que fazia as cabeças deles voarem uns dois metros para o alto. Eles não tiveram chance. No fim da batalha, trezentas cabeças jaziam no chão, e o campo de batalha estava acabado. Sua família inteira acordou e pasmou com a cena. Mas não eram todos da família que estavam ali, só os que não tinham forças e trabalhavam como serviçais.
- Oh, então os Bruzzini mandaram espiões para depredar nossa casa enquanto estávamos em guerra! E quem são vocês?
- Augusto Del Fiore. – disse Augusto com uma voz um tanto quanto grossa.
- Angela Del Fiore. – disse sua irmã com uma voz meio metálica.
- Mas vocês estão tão... Diferentes! O que aconteceu com vocês?
- Não sei, acho que despertamos um poder interior, não sei explicar.
Começaram a conversar e Augusto e sua irmã descobriram que a família inteira estava guerreando com a família Bruzzini, por algum desentendimento. Ele e sua irmã foram deixados com os serviçais por serem jovens demais para uma guerra. No entanto, os Bruzzini mandaram espiões para destruir a casa enquanto estavam fora. Só não contaram que os dois seriam tão letais.
- Eu vou ajuda-los. – manifestou-se Augusto.
- Eu também! – disse Angela.
- Não podem, vocês são jovens demais!
- Mas você viu o que a gente fez! Nós demos conta facilmente de trezentos inimigos!
- Tem razão. Mas não serão apenas trezentas pessoas naquele campo de batalha. Vai haver pelo menos umas trinta mil pessoas. Pode não parecer, mas a família Del Fiore é a que menos tem gente. Porém, nós compensamos com qualidade o que perdemos em quantidade. Vocês estão muito verdes ainda, tem de amadurecer mais para ir lá.
- Pois então tente nos impedir!
Augusto deixou que a ira tomasse conta de seu corpo e então se transformou na forma híbrida de dragão com humano outra vez, e saiu voando pelo céu afora. Sua irmã fez o mesmo, e com o dobro de sua velocidade normal, pulou uns quinze metros, atravessando o muro e seguindo seu irmão de perto.
Ele viu onde o campo de batalha estava e seguiu para lá. Quando chegou, logo viu que sua família estava cercada de milhares de homens e mulheres vestidos de preto. Deu uma rasante, cuspindo fogo ao redor dos de sua família, atacando os Bruzzini. Ganhou altitude e descendo rapidamente, empunhando a espada com a qual tacou fogo, decepou a cabeça de fileiras inteiras de homens.
Sua irmã chegou ao campo de batalha, e já estava abrindo caminho pela infantaria dos Bruzzini girando como um tornado, decepando a cabeça de quem
passava pelo seu caminho. Com sua ajuda, os Del Fiore rapidamente ganharam a batalha, e os Bruzzini foram dizimados. Voltando para casa, todos queriam saber como conseguiram aquele poder. Explicaram a situação, e logo eram o centro das atenções da família.
- Parabéns! É incrível como da noite para o dia vocês dois conseguiram aumentar tanto sua coleção. Aliás, pelo que vemos aqui vocês não tinham nenhuma cabeça na sua coleção de cabeças de inimigos derrotados. Augusto, de nenhuma cabeça você foi a mil e quinhentas cabeças. Angela, de zero você chegou a mil quatrocentos e cinquenta cabeças. Nossa, vocês serão lendas em nossa família, ninguém nunca conseguiu isso de uma vez, e muito menos com essa idade.
Augusto deu um tapinha nos ombros de Angela, sussurrando todo radiante:
- Acho que conseguirei usar uma espada mais pesada daqui em diante!
Críticas são bem-vindas. Lançarei mais capítulos em breve.
Editado por Hiken, 06 maio 2012 - 13:28 .


















