Trick #1 – Ups and Downs!
Essa é a história da infância de Dorian Hallward contada na minha visão, eu sou Basil Hallward e posso dizer que sou praticamente um pai para esse garoto, um pai bem diferente, mas sim, ainda um pai. A nossa história começa em uma ilha circense no céu, sim, no céu, foi lá onde Dorian nasceu e onde foi encontrado por mim, abandonado dentro de uma caixa feita de nuvem no meio de uma rua para quem quisesse pegá-lo e levar, a “mãe” se quer teve a sensibilidade de cobrir o corpo do pequenino bebê que já tremia de frio com a leve garoa que já começava à cair, isso aconteceu a cerca de dezenove anos atrás, na época já fazia alguns anos que a Grande Era dos Piratas havia começado no Mar Azul, mas eu não sabia disso e muito menos o bebê. O garoto tinha cabelos vermelhos como o fogo, uma pele tão branca quanto o Mar Branco. Não chegava ao tamanho de um toco de árvore cortado, era um garoto lindo, se não fosse pelo fato de que não descendia dali, o garoto muito provavelmente havia vindo do Mar Azul, pois ele não tinha asas, mas eu o acolhi e quando perguntaram por que o garoto não tinha asas apenas disse que alguém as havia amputado.
Vocês devem estar pensando que eu sou algum tipo de astro de circo por estar em uma ilha como aquela, num dia como aquele, mas não, sou quase isso... Sou um cigano, um cigano dos céus, caminho com eu e minha família pelas ilhas fazendo os nossos shows na rua, é assim que conseguimos sobreviver. Somos uma família de ilusionistas, malabaristas, jogadores de azar e cartomantes, e como foi assim que o destino pediu o pequeno Dorian também foi treinado para essas coisas, eu via um potencial não visto nunca no garoto, mal tinha completado três anos de idade e já havia aprendido como fazer truques mágicos com cartas, eram simples, mas para apenas um garoto daquela idade ele era extremamente veloz com as mãos, uma habilidade incrível. Essa sua incrível habilidade nos shows, tirava o preconceito que os outros tinham contra o garoto, os chamavam de “Anjo sem Asas”, às vezes ficava preocupado que aquilo iria atingir o garoto, mas ele nem ligava para os apelidos, até os gostava. O garoto cresceu e junto com isso as suas habilidades foram amadurecendo, tinha apenas sete anos de idade, mas conseguia “adivinhar” o futuro das pessoas e inventando desculpas para que elas acreditassem no que o mesmo dizia, eu também como um velho circense ensinei-o como fazer malabares, não necessitou de muito tempo de treino e já havia começado a participar junto com os meus outros filhos mais velhos de espetáculos.
Já se havia passado dez anos desde que eu tinha encontrado o pequeno Dorian, tudo em nossa vida estava andando extremamente bem, até aquela noite, eu não me lembro de muita coisa. Tínhamos acabado de mudar de uma ilha para outra, iríamos começar os nossos shows no dia posterior naquela ilha que era bastante movimentada, pois ficava bem próximo ao Fim da Nuvem. Ainda era madrugada quando eu senti um calor dentro da barraca: só lembro que as nossas barracas começaram a pegar fogo e toda a minha família morrera junto com o fogo, inclusive eu, Basil Hallward. Caros leitores, devem estar achando que o jovem Dorian também havia morrido no desastre, mas não, ele sobreviveu, por um fio.
Trick #2 – No loss of white!
Mesmo depois de minha morte eu continuei acompanhando a sua trajetória assim como eu havia o acompanhado desde que era apenas um bebê, aquele seria um episódio difícil para Dorian, pois um garoto de dez anos não merecia viver aquilo, a perda de sua família o atingiu, e muito, perturbando a mente do pequeno ilusionista que aparentemente não tinha para onde ir, mas todo aquele episódio teve um lado bom, serviu para endurecer os seus sentimentos, deixando que ele se tornasse um homem mais cedo, para que pudesse sobreviver. Vagou por entre as chamas até a sua pequena barraca intacta e recolheu os seus itens que usava para fazer os seus shows junto com os seus irmãos e por fim colocou dentro de sua roupa engraçada cheia de naipes de baralho e começou a vagar, sem rumo pela ilha movimentada.
Andou e andou sem nem mesmo olhar para frente, até chegar a um lugar cheio de casas abandonadas, aquilo era ótimo, Dorian pensava que poderia viver ali, sozinho, para sempre e quem sabe conseguir algum dinheiro para poder comer alguma coisa, eu sabia que ele estava com fome, eu adoraria ajuda-lo, mas não poderia fazer mais nada por ora. Acompanhei o seu caminho e por fim ele entrou na casa que estava em melhor estado, era noite e estava muito escuro lá dentro, ele podia sentir o cheiro de umidade da madeira... Mas também havia outro cheiro, era cheiro de... Maionese... Enxofre... Carne podre...? Vinha lá de dentro, Dorian ansioso correu para lá e chegou a uma escadaria que levava para baixo, lá no final estava iluminada por uma luz fraca avermelhada, sem nem hesitar desceu, afinal, não tinha nada a perder de agora em diante. Dorian quando chegou ao fim da escada se deu de cara com uma sala cheia de escrivaninhas lotadas de pequenos vidros com inúmeros líquidos estranhos dentro, quando de repente ele viu uma escrivaninha cair de lado e junto ao barulho de vidros quebrando discerniu a voz de uma pessoa, quando se aproximou era um velho de cabelo branco todo bagunçado, extremamente mal vestido e com um jaleco amarelado por cima de sua roupa suja.
Eu conhecia aquele homem, era o velho Dyce, um cientista louco da ilha que havia abandonado a sua vida pela ciência, acreditava em coisas extremamente esquisitas. Agora eu estava preocupado, em todas as pessoas ele tinha logo que achar aquele velho? Mas enfim, foi o que aconteceu, vamos continuar com a minha história e vamos ver no que vai dar.
Os dois não demoraram muito para fazer amizade, o velho Dyce contava história para o garoto de todos os tipos e ensinava para ele coisas sobre química, a mistura de substâncias e as coisas incríveis que ele podia fazer com aquilo, Dorian começaram a se interessar pelo assunto e passou a brincar com as substâncias, criando desde explosivas até a que liberavam descargas elétricas. Aquele discípulo havia feito o velho Dyce abandonar as suas ideias anteriores e de certa forma Dorian havia feito um bem para o cientista, mas apesar do que estava aprendendo Dorian ainda deveria sobreviver e por isso continuou com os seus shows na rua, aperfeiçoando eles com as suas novas habilidades químicas, criando um baralho especial com diversos efeitos interessantes e também um par de luvas onde acoplou alguns Dials que havia comprado na rua com o dinheiro que havia conseguido nos seus shows, além de outras personalizações que tinha feito nas luvas de couro-avermelhadas por si só. Elas iriam ajuda-lo a conseguir mais dinheiro e comida para continuar a sobreviver junto com o seu velho amigo Dyce, e assim foi por cinco anos inteiros, vivendo naquela ilha e morando no porão do velho cientista Dyce.
Aos quinze anos de idade estava caminhando pela parte central da ilha pensando o que faria no seu próximo show e com qual garota deveria ficar naquele dia... Pelo que eu me lembro delas tinha a Tiffany, a Mel... Mas uma coisa havia chamado à atenção de Dorian e a minha, um grupo de homens com armas estranhas nas mãos andavam pela rua, abrindo caminho no meio da multidão, todos estavam sem camisa e eles não tinham asas, assim como Dorian. O jovem ilusionista escutou um sussurro vindo de um grupo de mulheres do lado, elas diziam que os homens eram do Mar Azul, Dorian já havia escutado sobre esse Mar, mas nunca tinha pensado de ir lá ou de que talvez ele fosse de lá, esse acontecido acabou por despertar a curiosidade do garoto. Isso não foi nem um pouco bom, acreditem no que eu estou dizendo caros leitores.
Trick #3 – A dip in the blue!
O jovem ilusionista estava decidido que iria para o Mar Azul agora, mas ele sabia pelas histórias que o velho Dyce contava que o Mar Azul ficava a milhares de metros de altura do Mar Branco, o que dificultaria um pouco as coisas, mas havia um jeito e que não seria muito fácil de conseguir, além de que, iria ser perigoso, muito perigoso. Dorian passou a agir como um ladrãozinho qualquer, começou a roubar metros e metros de panos e fios além de ter conseguido convencer uma costureira a fazer o que ele pedira: um paraquedas. Ele tinha demorado muito para conseguir os inúmeros metros de pano e fio, apanhado muito de lojistas, mas agora o seu plano estava completo, tinha uma mochila e o paraquedas estava dentro, quando estivesse em plena queda era só puxar o cabo para abrir o zíper e soltar todo o pano de uma vez só e por fim, cair em segurança no Mar Azul.
Já havia recolhido todos os seus pertences e como já era manhã cedo iria sair de casa sem que o velho Dyce soubesse, era melhor que não se despedissem, pois era muito provável que o cientista fosse querer que ele mudasse de ideia e ficasse com ele, afinal, era o único amigo daquele homem a anos. Sem nem hesitar ele saiu da ‘casa abandonada’ com todos os seus pertences e foi em direção ao porto, o sol já havia começado a nascer quando chegou até lá e roubou um simples bote de um dos navios que estava ancorado e seguiu em direção ao Fim da Nuvem, segundo o mapa no porto ficava ao sul, e assim foi. Chegando lá ele se deu de cara com uma queda livre, por um instante hesitou, mas continuou o seu caminho entrando na corrente com o bote e remando freneticamente, quando o barco começou a ganhar velocidade, Dorian largou os remos e se preparou para puxar a cordinha quando estivesse em plena queda livre, e foi o que fez. Quando o bote descolou da correnteza e Dorian se viu caindo em extrema velocidade ele puxou a corda fazendo com que a bolsa abrisse soltasse o paraquedas que demorou alguns segundos para abrir, os segundos mais longos da vida do ilusionista; A intenção era descer direto ao Mar Azul, mas por acidente uma corrente de ar pegou-o e fez com que ele vagasse sem rumo por algumas horas, já que havia se esquecido de fazer alguma coisa para controlar o paraquedas, nada tinha a fazer. Tinham se passado três horas e Dorian já havia adormecido, quando acordou percebeu que o paraquedas tinha começado a perder altitude e ficou esperando o momento em que tocaria o Mar Azul... Mais trinta minutos se foram e finalmente caiu no Mar Azul, com um pouco de dificuldade ele tirou o paraquedas improvisado e viu onde estava: Dentro d’agua de frente para uma ilha coberta de uma camada branca, brilhante e a ilha parecia estranhamente feliz, gritos de animação vinham de lá e luzes incessantes iluminavam o anoitecer que agora estava para acontecer.
Tratou de começar a nadar na direção da ilha e quando chegou lá, tocou a areia, ele caiu de joelhos e logo após deitou sobre ela, pegando a areia com a mão e sentindo a textura... Então era aquilo que eles chamavam de terra, Dorian pensava. Uma curiosidade incessante tomou a sua mente e ele começou a caminhar pela cidade animada, parece que todos estavam no lado leste da cidade... Dorian estava achando aquilo tudo muito estranho, as construções eram totalmente diferentes das ilhas do céu, era um mundo totalmente diferente, ele tinha que descobrir tudo aquilo. O garoto quando se aproximou do seu destino viu como tudo era tão diferente ali, estava frente-a-frente com um enorme circo e várias pessoas caminhavam para lá e para cá, olhando os animais presos em jaulas, animais que Dorian nunca havia visto se quer na vida, ele estava maravilhado, caros leitores.
Dorian foi caminhando até que encontrou a parte de trás do circo onde os animais que estavam ali eram os mais esquisitos possíveis, quando um homem apareceu do meio da escuridão abordando Dorian, que se identificou. O homem disse que era Fernandes Orato, o dono daquele circo, Dorian disse que também era circense e que tinha certas habilidades, com uma boa conversa ele conseguiu que o homem lhe oferecesse um emprego, um emprego de cartomante onde ele viajaria com o circo e em troca dos seus serviços lhe seria dado comida e onde dormir, além de uma pequena quantia de dinheiro no fim de todo mês, aquela seria uma oportunidade única para conhecer um pouco mais daquele Mar, um Mar que ele tanto desconhecia.
Trick #4 – It's time to discover the world!
Quatro anos se passaram desde que Dorian havia se juntado ao Orato Circus e todos esses anos só haviam feito três viagens entre as ilhas, ele não havia descoberto muito sobre o mar, apenas o suficiente: Ele descobriu que havia caído no North Blue, um Mar que fica ao norte do Mar Azul além de muitas coisas como a Grand Line ou lendas daquele Mar, que não divergiam muito com as do Mar Branco. Naquele outro mundo as forças que dominavam era o Governo Mundial, a Marinha e os Piratas, sendo que recentemente o Governo Mundial e a Marinha tinham se refugiado nos Blues para recuperar a sua força depois de uma guerra perdida contra os Piratas.
Dorian estava cansado daquela vida entediante de cartomante, passava praticamente o dia todo enfiado dentro de uma barraca, ele queria uma vida nova, uma vida livre, onde poderia fazer o que quiser descobrir tudo sobre o Mar Azul e realizar o seu sonho desde criança: Se tornar o melhor Ilusionista do Mundo. Ele havia decidido e não haveria ninguém para lhe impedir, vestiu a sua roupa de se apresentar recém-feita e pegou todos os seus pertences que continuavam intactos desde que havia caído naquele mar, assim como o dinheiro que havia sobrado do último salário, foi até o porto e de lá pegou o primeiro navio para qualquer lugar.